DPU aciona Justiça contra governo do Pará por fake news sobre protesto indígena

Defensoria Pública da União aciona Justiça contra governo do Pará por declarações sobre protesto de comunidades indígenas contra mudanças no ensino.
Redação O Poder
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A Defensoria Pública da União (DPU) ingressou com uma ação civil pública contra o estado do Pará, neste domingo (4), acusando o governador Helder Barbalho (MDB) de disseminar fake news sobre a mobilização de comunidades indígenas. O processo foi protocolado na Justiça Federal e cita declarações do chefe do Executivo estadual a respeito do protesto contra a revogação do Sistema Modular de Ensino Indígena (Somei).

Desde 14 de janeiro, manifestantes ocupam a sede da Secretaria de Educação do Estado (Seduc) em repúdio à Lei 10.820/2024, que, segundo os indígenas, gera insegurança jurídica por não mencionar o funcionamento do Somei. Eles exigem a revogação da legislação e a exoneração do secretário de Educação, Rossilei Soares.

A DPU questiona um vídeo publicado por Barbalho em 31 de janeiro, no qual ele classifica as reivindicações como “desinformação” e “fake news”, negando qualquer intenção de substituir o ensino presencial por aulas remotas. O governador também afirmou que “100% das reivindicações indígenas foram atendidas”.

“O estado do Pará claramente tenta criar uma narrativa para colocar a opinião pública contra o pleito das comunidades indígenas, o que é atentatório à dignidade desses povos”, argumenta na ação o defensor regional de direitos humanos no Pará, Marcos Wagner Teixeira.

A Defensoria solicita que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) adote medidas para proteger a honra das comunidades envolvidas, além do pagamento de uma indenização de R$ 10 milhões por dano moral coletivo, valor que seria revertido aos indígenas afetados. A ação também pede que a Meta, empresa responsável pelo Facebook e Instagram, remova postagens do governador consideradas falsas. Em resposta, o governo do Pará informou que ainda não foi notificado sobre o processo.

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