MPAM tem prazo final para apresentar relatório sobre caso do dinheiro vivo na Semcom

Ministério Público tem prazo final para apresentar relatório sobre suposto caso de dinheiro vivo na Secretaria de Comunicação de Manaus.
Redação O Poder
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O promotor Hilton Serra Viana, da 79ª Promotoria de Justiça Especializada na Defesa e Proteção do Patrimônio Público (PRODEPPP) do Ministério Público do Amazonas (MPE-AM), tem até esta quinta-feira (20) para apresentar seu relatório sobre a investigação da suposta entrega de dinheiro vivo dentro da Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) durante a primeira gestão do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante).

O relatório pode recomendar três encaminhamentos: arquivamento do procedimento preparatório, caso não haja indícios suficientes para prosseguimento; conversão em Inquérito Civil, para aprofundar as investigações; propositura de Ação Civil Pública, caso o MPE identifique elementos que justifiquem medidas judiciais.

Quase um ano de investigação e novas diligências

A denúncia veio à tona em 14 de março de 2024, quando o site Metrópoles divulgou imagens que mostrariam o suposto pagamento irregular dentro da Semcom. O vídeo, entregue à Polícia Civil do Amazonas, registrou um homem, que se apresentou como motorista do portal de notícias O Abutre, recebendo dinheiro vivo dentro da secretaria. O então secretário da Semcom, Israel Conte, esteve na Câmara Municipal e apresentou um laudo de perícia feita por uma empresa de Maringá, no Paraná, apontando que o vídeo em questão seria manipulado e para desgastar a administração municipal.

Afirmações do motorista foram contrárias às alegações de Israel Conte

Ainda em março, Arthur Catão, ex-motorista do portal O Abutre, confirmou em entrevista ao vereador Capitão Carpê que filmou o momento em que pegou um envelope com dinheiro na Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom), por desconfiança. Ele afirmou que não ficou com o dinheiro e entregou o envelope ao dono do portal. Catão garantiu que o vídeo é verdadeiro, embora não tenha sido ele quem o divulgou. Preocupado com a segurança de sua família, ele deixou o emprego e recebeu apoio do vereador, que se comprometeu a reforçar sua segurança.

Na época, a própria Semcom anunciou uma “apuração interna” para esclarecer o ocorrido. No entanto, até agora, a secretaria não apresentou os resultados dessa sindicância.

Apesar da repercussão do caso, o MPE-AM só voltou a solicitar informações à Delegacia Especializada em Combate à Corrupção (Deccor-AM) no último dia 12 de fevereiro, pedindo atualizações sobre o Inquérito Policial nº 6087/2024, que trata da investigação do caso.

O promotor Hilton Serra Viana afirmou que nenhuma pessoa foi ouvida pelo MPE-AM sobre os fatos investigados. Todas as oitivas foram conduzidas exclusivamente pela Polícia Civil, dentro do inquérito da Deccor-AM.

CPI suspensa e impasse político

A repercussão do caso levou à criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI da Semcom) na Câmara Municipal de Manaus (CMM). No entanto, a proposta de investigação parlamentar enfrentou dificuldades e acabou suspensa por decisão judicial.

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli Lopes, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), atendeu a um pedido do vereador Eduardo Assis, aliado do prefeito David Almeida, e determinou a suspensão da CPI. A Procuradoria da CMM recorreu da decisão, defendendo a legalidade da comissão.

Carregar Comentários