A Polícia Federal interroga nesta quinta-feira (17) o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Luiz Fernando Corrêa, sobre suposta espionagem do governo brasileiro contra autoridades paraguaias. Também será ouvido o ex-diretor-adjunto Alessandro Moretti, demitido em janeiro deste ano.
As investigações apontam que um esquema de monitoramento, iniciado no governo Bolsonaro e supostamente mantido na gestão Lula, teria como alvo computadores de autoridades paraguaias envolvidas nas negociações sobre a Usina Hidrelétrica de Itaipu.
Segundo as apurações, o programa Cobalt Strike foi utilizado para invadir dispositivos de membros da cúpula do poder do Paraguai, incluindo autoridades do Congresso, Senado e da Presidência, com captura de dados sensíveis. A espionagem teria ocorrido meses antes da revisão das tarifas de energia entre Brasil e Paraguai, acordada em maio de 2024.
As oitivas decorrem de depoimentos de investigados no inquérito da “Abin Paralela”, após dois agentes mencionarem a continuidade do esquema entre 2022 e 2023, usando um aplicativo de monitoramento por GPS chamado First Mile.
Em nota, a assessoria da Abin informou que o diretor-geral “está à disposição das autoridades competentes para prestar quaisquer esclarecimentos” sobre fatos que “remetem a decisões tomadas em gestão anterior da Agência”.
Apesar da pressão de aliados por mudanças na agência, o presidente Lula manteve Corrêa no comando da Abin, que passou a ser subordinada à Casa Civil, chefiada pelo ministro Rui Costa, após anos ligada ao Gabinete de Segurança Institucional.