Os partidos Progressistas (PP) e União Brasil anunciarão na tarde desta terça-feira (29), em evento no Congresso Nacional, a criação de uma federação partidária que se chamará União Progressista. O arranjo prevê a atuação conjunta das duas legendas por, no mínimo, quatro anos, conforme determina a legislação eleitoral. Diferentemente de uma fusão, a federação mantém a identidade jurídica de cada partido, mas exige alinhamento político, programático e eleitoral em todas as esferas.
A decisão foi sacramentada na segunda-feira (28), durante reunião na Câmara dos Deputados com as principais lideranças do União Brasil, incluindo o presidente nacional do partido, Antônio Rueda, o ministro do Turismo Celso Sabino (PA), e o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. Também participaram integrantes do PP, como o presidente da sigla, senador Ciro Nogueira (PI).
“Inicialmente vai existir uma copresidência até dezembro. O Rueda e o Ciro. A gente vai integrar os dois partidos nesse início e a partir de janeiro a gente terá uma presidência só”, explicou Rueda após o encontro. O estatuto da federação ainda será finalizado e aprovado internamente por cada partido, em convenções nacionais, antes do registro oficial junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A União Progressista nasce como uma das maiores forças da política brasileira, reunindo a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 109 parlamentares; mais de mil prefeituras pelo país; e o maior volume de repasses de verba pública para funcionamento partidário e campanhas.
Apesar do entusiasmo com a criação da nova federação, ainda existem disputas internas em torno da definição do comando nacional da União Progressista. Um acordo prévio previa que o deputado Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara, seria o primeiro a liderar o rodízio na presidência da federação. No entanto, rumores recentes apontaram que o próprio Rueda poderia assumir esse posto inicial, o que causou desconforto. Ciro Nogueira confirmou que a ordem do rodízio e o tempo de cada mandato ainda estão em negociação.
Entenda a federação partidária
Ao contrário da fusão, que extingue os partidos para formar um novo, a federação mantém as siglas formalmente separadas, mas exige que atuem como uma só entidade política em nível nacional, estadual e municipal, por ao menos quatro anos. Isso inclui votar em bloco no Congresso, dividir recursos do fundo partidário e do fundo eleitoral, além de lançar candidaturas em conjunto.
A criação da União Progressista ocorre em um momento de reconfiguração das forças políticas com vistas às eleições de 2026. A expectativa é que a federação tenha grande peso nas disputas majoritárias e proporcione maior estabilidade institucional às duas siglas, hoje consideradas pilares do centrão.
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