Moraes revoga proibição de réus por tentativa de golpe se falarem

Moraes autoriza comunicação entre réus por tentativa de golpe após encerramento dos interrogatórios no STF.
Redação O Poder
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Após o encerramento dos interrogatórios dos réus no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Alexandre de Moraes revogou nesta segunda-feira (10) a proibição de contato entre os investigados na ação penal que apura tentativa de golpe de Estado.

“Eu revogo a medida cautelar que impôs em 26 de janeiro de 2024 a proibição dos réus de manterem contato entre si”, decidiu Moraes, autorizando a comunicação entre os membros do chamado “núcleo crucial”.

O general Walter Braga Netto foi o último a prestar depoimento. Além dele, também foram ouvidos nesta segunda-feira o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o almirante Almir Garnier, o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira e o general Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Braga Netto negou participação em qualquer plano golpista e confirmou a realização de uma reunião em sua casa, mencionada na delação de Mauro Cid, mas afirmou que o ex-ajudante de ordens “faltou com a verdade” ao relatar que o encontro foi para discutir um golpe.

Preso no Rio de Janeiro, Braga Netto foi interrogado de forma remota. Durante a audiência, ao ser questionado por Moraes se já havia sido preso, respondeu com ironia: “Eu estou preso, presidente”. O ministro rebateu: “Eu sei que o senhor está preso, eu que decretei”.

O general também negou ter repassado dinheiro para financiar qualquer ação golpista, como sugerido por Cid, que afirmou ter recebido valores em espécie dentro de uma caixa de vinho. Braga Netto também disse desconhecer o plano batizado de “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o assassinato de autoridades.

Por fim, ele afirmou que não ordenou ataques aos chefes das Forças Armadas. No entanto, a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que Braga Netto incentivou críticas a generais que não teriam aderido ao plano, como Freire Gomes, do Exército, e Baptista Júnior, da Aeronáutica.

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