A Gerdau anunciou que irá diminuir seus investimentos no Brasil nos próximos anos. A decisão foi confirmada pelo presidente-executivo da empresa, Gustavo Werneck, que expressou frustração com a ausência de ações mais firmes por parte do governo federal no que diz respeito à defesa comercial do setor siderúrgico.
Durante coletiva com jornalistas e analistas, realizada após a divulgação do balanço financeiro do segundo trimestre, Werneck destacou que cerca de 1.500 trabalhadores já foram desligados no país desde o início do ano. O motivo, segundo ele, seria a crescente concorrência do aço importado, inclusive por meio de produtos industrializados.
“Essa é uma decisão já tomada”, afirmou o CEO. Ele criticou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) por não ter adotado medidas mais enérgicas, mesmo após um ano de discussões. “É muito decepcionante que, após 12 meses, ainda não tenhamos visto ações mais duras sendo implementadas”, declarou.
Nos últimos meses, Werneck tem se posicionado com veemência sobre as falhas na política comercial do Brasil, especialmente em relação ao sistema de cotas e tarifas imposto no ano passado, que visava limitar a importação de aço. Segundo o executivo, o modelo adotado se mostrou ineficaz diante da grande quantidade de produtos vindos, principalmente, da China.
“A estratégia do governo parece ser agradar a todos, mas isso não é viável. Só com a entrada dessas importações, a União deixa de arrecadar cerca de R$ 6 bilhões em impostos”, criticou Werneck.
Apesar de manter os aportes planejados para este ano, a Gerdau já sinaliza que os recursos destinados ao Brasil serão reduzidos a partir de 2026. Uma reavaliação da estratégia de investimentos está prevista para os meses de agosto e setembro, com divulgação dos novos planos em outubro, durante reunião com investidores. Nos últimos anos, os aportes anuais da companhia têm variado entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões.
O diretor financeiro da empresa, Rafael Japur, detalhou que, dos R$ 6 bilhões previstos para 2025, cerca de R$ 4 bilhões são destinados ao mercado brasileiro.
Em contrapartida, Werneck afirmou que a Gerdau decidiu manter os investimentos futuros nos Estados Unidos. Ele ponderou, no entanto, que a empresa pretende ser cautelosa e evitar grandes expansões industriais por lá. “Estamos atentos para não comprometer os bons resultados que já temos nos EUA”, disse.
No segundo trimestre, a operação norte-americana representou 61,4% do Ebitda ajustado da Gerdau, consolidando-se como principal motor financeiro da companhia.
Sobre a política de remuneração aos acionistas, Japur afirmou que a preferência continua sendo pela recompra de ações, em vez da distribuição de dividendos extraordinários. No início deste ano, a empresa aprovou um novo programa de recompra que abrange até 5% das ações preferenciais e até 10% das ordinárias. “A recompra tem se mostrado uma excelente alternativa”, finalizou o diretor.