O deputado estadual Adailton Cruz anunciou nesta sexta-feira (29) sua decisão de deixar o Partido Socialista Brasileiro (PSB), legenda à qual é filiado desde o início de sua trajetória política. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Povo na TV, onde o parlamentar explicou os motivos que o levaram a tomar a decisão e comentou sobre possíveis novos rumos partidários. A saída oficial deverá ocorrer durante a janela partidária de 2026, período permitido pela Justiça Eleitoral para trocas de legenda sem risco de perda de mandato.
Ao comentar sobre seus próximos passos, o parlamentar revelou que já recebeu convites de siglas do campo de centro-direita, entre elas o União Progressista, o Partido Liberal (PL), o PODEMOS e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Segundo ele, a escolha será feita com base em critérios programáticos e na viabilidade de representar as demandas da população acreana, especialmente na área da saúde. “Estamos quase certos que iremos para um partido de centro-direita, mas vamos avaliar direitinho o cenário e ver quais vão nos dar mais condições, buscando ser a voz do nosso povo”, comentou.
Durante a entrevista, o parlamentar foi enfático ao cobrar avanços no setor da saúde pública do estado, destacando o aumento significativo do orçamento da área, mas questionou os resultados práticos. “No início da gestão trabalhamos para melhorar o orçamento da saúde e conseguimos: saiu de R$ 700 milhões em 2023 para quase R$ 2 bilhões em 2025. Mesmo assim, a gente percebe que a situação não melhora. A população continua morrendo na fila de cirurgias, aguardando leitos de UTI. O sistema precisa mudar, precisa avançar”, afirmou.
Cruz chamou atenção para a defasagem de leitos hospitalares no estado. Conforme ele, o Acre deveria ter cerca de 2.500 leitos, mas atualmente possui apenas 1.500 ativos. “Enquanto não houver uma mudança estrutural, com mais profissionais e equipamentos, vamos continuar vendo gente morrendo por falta de atendimento. No interior, a situação é ainda pior, muitos locais nem raio-x têm”, pontuou.
O deputado fez duras críticas à polarização política entre esquerda e direita no Brasil. Para o parlamentar, a disputa ideológica tem se sobreposto aos reais interesses do povo brasileiro. Ele citou como exemplo decisões de apoio ao governo norte-americano, o chamado “tarifaço, que, segundo ele, resultam em prejuízos ao país, como desemprego e falta de investimento.
Cruz também comentou sobre as recentes ações envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, criticando a condução dos processos. Para ele, é necessário que as lideranças políticas ajam com moderação, respeito e responsabilidade, colocando os interesses da população acima de disputas partidárias. “O julgamento deveria ser mais limpo, mais justo, mais claro. Quem está no poder tem que ter bom senso, paciência e respeito ao povo brasileiro”, disse.
Eleições 2026: apoio a Mailza Assis e esperança por uma mulher no governo
Durante entrevista nesta sexta-feira (29), o deputado estadual Ailton Cruz (PSB-AC) afirmou que tem o sonho de ver, pela primeira vez, uma mulher eleita governadora do Acre. O parlamentar destacou a importância de um olhar mais sensível e equilibrado na administração pública e manifestou sua simpatia pela atual vice-governadora Mailza Assis.
Ailton também comentou sobre o cenário político que começa a se desenhar para a sucessão da gestão atual. Segundo ele, além de Mailza, outros nomes devem disputar a cadeira de governador em 2026, como o senador Alan Rick, e talvez o deputado Nicolau Júnior e o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom. Mas, apesar de reconhecer a legitimidade e a capacidade de todos os possíveis candidatos, ele reforçou seu desejo de ver o estado acreano ter a frente uma representante feminina no cargo principal.
“São nomes que estarão no cenário, vejo como ponto positivo essa vontade de servir ao estado. Mas torço para que um dia o Acre eleja uma mulher para governar com um olhar mais sensível, com mais equilíbrio e firmeza. Nunca tivemos uma mulher eleita para um mandato integral no governo, e acredito que é hora de mudar isso”, concluiu.