Parlamentares criticam explosões de balsas no Rio Madeira e pedem diálogo sobre garimpo

Parlamentares criticam operações da Polícia Federal contra garimpo ilegal no Rio Madeira e pedem diálogo sobre a atividade.
Redação O Poder
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

As ações da Polícia Federal (PF) contra o garimpo ilegal no Rio Madeira voltaram a gerar forte reação política no Amazonas. Parlamentares estaduais e senadores se manifestaram contra a forma como as operações vêm sendo conduzidas, especialmente após a explosão de balsas em Humaitá e Manicoré.

O deputado estadual Adjuto Afonso (UB) classificou a postura da PF como “brutal” e disse que a medida deveria ser revista. “Nós participamos de um sindicato dos transportadores e a preocupação foi geral, que colocaram no grupo que a Polícia Federal estava lá em Humaitá, que evitassem que naquele momento a balsa passasse naquela região. Veja a que ponto chegamos. Acho que essa brutalidade que eles fazem merece repúdio, tem outra forma de coibir”, declarou.

Rozenha (PMB) também condenou a operação, destacando a falta de proporcionalidade nas ações. “Sobre o argumento de buscar tráfico internacional de drogas, a Polícia Federal realizou na região de Humaitá a sua ação mais truculenta, mais desrespeitosa, mais desumana dos últimos anos. É muito fácil atirar em morador, é muito fácil explodir balsa de pequeno garimpeiro, porque a gente sabe que até um limite de 6 polegadas, o garimpo é artesanal. Eu não quero discutir a legalidade do garimpo no Rio Madeira, eu quero discutir a truculência”, disse.

Na mesma linha, o deputado Roberto Cidade (União Brasil) divulgou um vídeo em que lamenta os episódios registrados. “Quero declarar o meu repúdio para essas ações da Polícia Federal. Eu entendo que tem um protocolo, mas a gente precisa também entender que tem famílias, tem vidas, e quando a gente tiver essas cenas, essas explosões, nós não estamos no campo de guerra. A gente tem que entrar no campo do diálogo, de construção. Estou pronto para conversar com quem quer que seja para a gente procurar um caminho viável para solucionar esse problema”, afirmou.

No Senado, o debate também ganhou força. Omar Aziz (PSD) já havia declarado que a destruição das balsas não resolve o problema do garimpo ilegal e apenas aprofunda tensões sociais na região. Plínio Valério (PSDB) também se posicionou contra a forma como as operações são conduzidas, afirmando que a União “prefere destruir em vez de dialogar”. O senador defendeu que os trabalhadores do garimpo precisam de alternativas para sobreviver e cobrou do governo federal políticas que aliem proteção ambiental e inclusão social.

As críticas se somam às pressões políticas e sociais para que as operações no Rio Madeira sejam revistas. Enquanto o governo federal sustenta que as ações são necessárias para combater o garimpo ilegal e o crime organizado, parlamentares do Amazonas reforçam que o enfrentamento deve ser feito sem violência, com diálogo e alternativas sustentáveis.

Carregar Comentários