David Almeida insiste em reforma da Previdência rejeitada por professores e ignora ameaça de greve

Prefeito de Manaus insiste em reforma da Previdência Municipal rejeitada por professores e ignora ameaça de greve geral.
Redação O Poder
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Durante a abertura do 11º Encontro Nacional da Rede Brasileira de Institutos de Planejamento (InREDE), realizado nesta quinta-feira (25) no auditório do Mirante Lúcia Almeida, o prefeito David Almeida (Avante) voltou a defender a polêmica reforma da Previdência Municipal e atacou os professores e sindicatos que têm protestado contra a proposta na Câmara Municipal de Manaus (CMM).

Protocolado em 27 de agosto, o projeto altera as regras de aposentadoria dos servidores públicos e já provocou a paralisação de cerca de 140 escolas municipais nesta semana. Sindicatos denunciam que a medida amplia o tempo de contribuição, sobretudo das mulheres, e acusam a Prefeitura de tentar aprovar a reforma em pleno ano eleitoral.

Mesmo diante da mobilização crescente e do indicativo de greve geral aprovado pelos professores, David insistiu que a reforma é “inevitável” e descartou qualquer possibilidade de arquivamento do texto.

“Estamos propondo uma reforma que já está atrasada desde 2019. Do jeito que está indo a Previdência, daqui a 8 ou 10 anos não vai ter dinheiro para pagar os salários de quem está trabalhando hoje. Quem luta contra a reforma está prejudicando a si mesmo”, declarou.

O prefeito utilizou projeções para justificar a proposta, mas evitou apresentar soluções alternativas que não recaíssem sobre os servidores. Segundo ele, antes oito trabalhadores sustentavam dois aposentados; hoje a proporção seria de cinco para cinco, e em dez anos deve piorar. “Essa é uma conta que não fecha”, disse, repetindo o discurso de que os servidores “precisam sacrificar-se agora para evitar o colapso no futuro”.

Na tentativa de amenizar críticas, David garantiu que a alíquota de contribuição de 14% não será aumentada, mas defendeu mudanças nas regras de aposentadoria. Para os sindicatos, no entanto, o discurso ignora que quem mais perderá com a reforma são justamente os professores da rede municipal, em sua maioria mulheres, que terão de trabalhar até sete anos a mais para se aposentar.

Ao comentar a pressão sindical, o prefeito classificou a mobilização como “intransigente”.  “É discutir, é esclarecer e mostrar a necessidade, as pessoas que hoje estão fazendo esse movimento, elas podem estar atentando contra o seu próprio futuro.”, afirmou.

A declaração ocorre num momento em que cresce a resistência dentro e fora da Câmara. Parlamentares de oposição acusam o Executivo de forçar a tramitação da reforma sem transparência e prometem expor os vereadores que apoiarem o texto. Já sindicatos reforçam que não aceitarão que o peso do ajuste recaia sobre os servidores.

O projeto ainda aguarda análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e o prazo final para apresentação de emendas termina nesta quinta-feira (25). Até lá, a mobilização continua e a ameaça de greve geral segue como resposta direta à insistência da Prefeitura.

Leia mais: Professores pressionam e dividem vereadores na Câmara sobre a reforma da Previdência

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