O vereador Rosinaldo Ferreira da Silva, conhecido como Rosinaldo Bual (Agir), foi afastado temporariamente de suas funções na Câmara Municipal de Manaus (CMM) por 120 dias, sem perda de remuneração, por decisão do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). A medida faz parte das investigações conduzidas pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), que apura suposto esquema de rachadinha no gabinete do parlamentar.
A decisão judicial também determinou o bloqueio de bens e valores do vereador, alvo de mandados de busca e apreensão, e a suspensão de quatro assessores — Alex Souza da Silva, Bianca Araújo Dutra, David da Silva Gomes e Rômulo Kayky dos Santos Silva — com perda de remuneração. A chefe de gabinete, Luzia Seixas Barbosa, foi afastada temporariamente, sem perda de salário, e também foi alvo de mandados judiciais.
Segundo o documento do TJAM, as medidas têm o objetivo de preservar a instrução do processo, evitar intimidação de testemunhas e impedir a continuidade de possíveis crimes. A investigação aponta que Bual exigia entre 40% e 50% dos salários de servidores de seu gabinete e mantinha pessoas contratadas sem vínculo efetivo com a Câmara Municipal de Manaus.
O levantamento do MPAM também apontou discrepâncias entre os rendimentos declarados pelo vereador — cerca de R$ 996 mil entre 2017 e 2023 — e a movimentação financeira em suas contas, que teria ultrapassado R$ 5,2 milhões. Foram encontrados ainda um cofre com R$ 300 mil em espécie, armas de fogo, incluindo um fuzil, e indícios de prática de agiotagem.
Mais de 10 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados ao vereador e seus assessores, e os bens e valores bloqueados somam aproximadamente R$ 6,1 milhões. Apesar do afastamento, Bual continuará recebendo sua remuneração normalmente durante os 120 dias de suspensão preventiva, conforme determina a decisão judicial, que poderá ser reavaliada ao longo da investigação.