O vereador Zé Ricardo cobrou nesta segunda-feira (6), durante sessão ordinária na Câmara Municipal de Manaus (CMM), um posicionamento oficial da Casa sobre a prisão do vereador Rosinaldo Bual, detido na última sexta-feira (3) no âmbito da Operação “Face Oculta”, do Ministério Público do Amazonas (MPAM).
A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) com apoio da Polícia Civil, apura a prática de rachadinhas — esquema em que servidores comissionados eram obrigados a devolver parte de seus salários ao político que os contratou.
“Fui indagado sobre o que aconteceu em relação à prisão de um colega vereador nosso e eu respondi dizendo que tem que haver todas as apurações. Ao mesmo tempo, essa Casa precisa se pronunciar”, declarou Zé Ricardo em plenário. “Essa Casa não pode ficar no silêncio. É uma acusação gravíssima. Por isso, quando algo assim acontece, é importante que a Mesa Diretora e esta Casa tenham sua posição sobre isso”, disse.
O vereador Rodrigo Guedes também se manifestou em plenário e reforçou o pedido de posicionamento institucional da Câmara, afirmando que a Casa Legislativa não pode ser conivente nem omissa diante da gravidade do caso. “Soube que haverá uma representação pedindo a cassação do vereador Rosinaldo Bual. A Câmara precisa garantir que isso seja julgado. Nós não podemos ter um pacto de silêncio”, afirmou Guedes.
Ele cobrou transparência da Mesa Diretora e reforçou que os parlamentares devem se posicionar de forma clara diante da situação. “A sociedade espera que a Câmara atue com firmeza. Precisamos mostrar que não há espaço para impunidade aqui dentro”, completou.
Além de Zé Ricardo e Rodrigo Guedes, o vereador Coronel Rosses (PL-AM), também se manifestou em plenário, cobrando um posicionamento firme não apenas da Câmara, mas também do prefeito David Almeida (Avante). Rosses lembrou que o vereador investigado é da base governista e que participou ativamente da campanha do atual prefeito. Segundo ele, diante da gravidade das acusações, tanto o Legislativo quanto o Executivo municipal precisam se posicionar com clareza para que a população não veja conivência ou omissão institucional.
Rachadinhas e desvio milionário
De acordo com o MP, Rosinaldo Bual mantinha entre 40 e 50 assessores nomeados, número considerado muito acima da real demanda do gabinete. Parte dos nomeados sequer exercia funções compatíveis com cargos públicos. Os salários eram parcialmente devolvidos ao núcleo próximo ao parlamentar, em um esquema sistemático de peculato, concussão, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Durante o cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão, incluindo a sede da CMM e a residência do vereador, os investigadores encontraram três cofres, um deles contendo R$ 390 mil em espécie, além de cheques que ultrapassam R$ 500 mil. Também foram apreendidos computadores, notebooks, celulares e documentos, como passaportes. Os cofres estavam na casa do vereador, em um sítio e na residência da mãe dele, e precisaram ser abertos com apoio do Corpo de Bombeiros.
Além das prisões, a Justiça determinou o afastamento de Rosinaldo Bual de suas funções parlamentares por 120 dias, a quebra dos sigilos bancário e telemático e o bloqueio judicial de R$ 2,5 milhões para garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos.
Câmara sem resposta oficial
Apesar da gravidade das acusações, até o momento, a Câmara Municipal de Manaus não divulgou nota oficial, tampouco detalhou os procedimentos regimentais a serem adotados. Tanto Zé Ricardo quanto Rodrigo Guedes cobraram que a Mesa Diretora se manifeste publicamente, seguindo os trâmites legais, mas também garantindo transparência com a população.
“A população quer saber qual é o nosso posicionamento. O silêncio da Casa pode parecer omissão”, afirmou Zé Ricardo.
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