O presidente Lula e membros de seu governo já se manifestaram publicamente de forma crítica sobre María Corina Machado, líder opositora venezuelana de 58 anos que recebeu o Nobel da Paz em 2025.
Em março de 2024, após o regime de Maduro barrar a candidatura de Machado à presidência da Venezuela, Lula traçou uma comparação com sua própria experiência política. O presidente brasileiro afirmou que, quando foi impedido de concorrer em 2018, preferiu indicar Fernando Haddad como candidato alternativo em vez de protestar contra a decisão.
A fala provocou uma resposta imediata da opositora venezuelana, que interpretou o comentário como machista. Em nota pública, Machado questionou se Lula fazia tal observação por ela ser mulher, enfatizando que não estava se lamentando, mas lutando pelo direito dos milhões de venezuelanos que votaram nela nas prévias e que merecem eleições democráticas.
Apesar da comparação feita por Lula, as situações são fundamentalmente diferentes. O petista foi impedido de disputar as eleições de 2018 devido a condenações judiciais relacionadas à Lava Jato, decisões que foram posteriormente anuladas pelo STF. Já Machado teve sua candidatura vetada por um sistema judicial amplamente considerado alinhado ao governo Maduro, com base em acusações de conspiração e suposto apoio a sanções econômicas contra a Venezuela.
Organizações internacionais e grupos de oposição denunciaram o veto à candidatura de Machado como mais uma demonstração da erosão democrática no país caribenho.
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