A confissão que o governo Lula tenta esconder: o Brasil não vai cumprir a meta de inflação até 2028

Governo admite que Brasil não cumprirá meta de inflação até 2028, com impactos no custo de vida do brasileiro.
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O governo Lula finalmente admitiu, mesmo que de forma indireta, aquilo que o mercado e boa parte dos economistas já sabiam: o Brasil não vai conseguir cumprir a meta de inflação até 2028. A confissão veio pelas palavras do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo — um economista próximo do governo e considerado o nome preferido de Lula para comandar o BC após a saída de Roberto Campos Neto. Em uma entrevista recente, Galípolo reconheceu que, em todos os horizontes analisados até 2028, a inflação permanece acima da meta oficial de 3% ao ano.

Essa declaração, vinda de um aliado do governo, é uma espécie de “ato falho” institucional. Traduz, na prática, aquilo que o governo tenta negar no discurso político: o país está preso num ciclo de inflação alta, juros altos e baixo crescimento, e até agora não existe um plano claro de correção de rumo. A meta de 3% virou uma lembrança distante, enquanto o custo de vida do brasileiro segue corroendo o poder de compra mês após mês.

O que isso significa na vida real? Significa que o salário perde valor mais rápido, que o supermercado pesa mais a cada semana, que o aluguel consome uma fatia maior da renda, e que o crédito — do cartão, do carro, da casa — ficou mais caro. Segundo o Banco Central, o custo médio do crédito no país já é o maior desde 2017. O consumidor comum já sente, sem precisar ler relatório nenhum, que o dinheiro não dura até o fim do mês.

Mesmo assim, o presidente Lula insiste em pressionar o Banco Central para reduzir a taxa básica de juros, hoje em torno de 15% ao ano. A crítica de Lula à Selic tem apelo popular — ninguém gosta de juros altos. Mas do ponto de vista técnico, essa cobrança é uma contradição. O juro alto é a consequência, não a causa. É a resposta de uma política monetária que tenta conter os efeitos de uma política fiscal desorganizada.

Quando o governo gasta mais do que arrecada, concede isenções, amplia programas e cria novos benefícios sem indicar de onde virá o dinheiro, o resultado é previsível: a dívida pública cresce, o mercado perde confiança e a inflação ganha fôlego. Nesse cenário, o Banco Central não tem escolha — precisa manter juros elevados para tentar segurar o avanço dos preços e evitar um descontrole maior.

O economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e um dos nomes mais respeitados do país, foi direto ao ponto ao classificar a política fiscal do governo como “suicida”. Fraga, vale lembrar, apoiou a candidatura de Lula em 2022, apostando que o presidente retomaria a responsabilidade econômica que marcou parte de seus governos anteriores. Hoje, ele faz um alerta: se o rumo não for corrigido, o Brasil pode viver uma crise de grandes proporções.

O diagnóstico é claro: enquanto o governo continuar tratando gasto público como instrumento político e mantendo o discurso de “Estado generoso” sem contrapartida fiscal, não haverá juros baixos, nem inflação controlada, nem crescimento sustentável. A inflação fora da meta significa que o poder de compra do trabalhador continuará encolhendo, o crédito continuará caro, e a desigualdade tende a se ampliar.

É importante lembrar que a inflação alta é um imposto invisível sobre os mais pobres. Ela não aparece na fatura, mas está embutida no preço do arroz, do aluguel, da conta de luz. É o tipo de problema que corrói silenciosamente a renda das famílias e destrói o planejamento de quem vive de salário. E quando o governo minimiza esse problema, ele mostra não apenas miopia econômica — mas também insensibilidade social.

O Banco Central, ao reconhecer que não conseguirá atingir a meta até 2028, acendeu o sinal vermelho da economia brasileira. Não se trata de pessimismo, mas de realismo: o país está gastando mais do que pode, acumulando dívidas e adiando ajustes que são inevitáveis. A insistência em politizar a discussão sobre juros é perigosa porque desvia o foco da verdadeira causa do problema — a irresponsabilidade fiscal.

O governo precisa entender que credibilidade não se decreta, se conquista. E o primeiro passo para isso é reconhecer que a estabilidade de preços não é inimiga do crescimento — é a base dele. Enquanto o Planalto continuar tentando resolver a inflação com discurso e pressão política, a economia brasileira vai continuar patinando, e quem paga a conta é o cidadão comum.

Se o país não mudar de rumo, 2028 pode chegar antes do previsto — e não como horizonte de estabilidade, mas como mais um marco de frustração.

Porque no fim das contas, quem mais sofre com a inflação fora da meta é justamente quem o governo diz querer proteger.

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