Durante a sessão de grande expediente desta terça-feira (11), o vereador Rodrigo Guedes (PP) fez um pronunciamento na Câmara Municipal de Manaus (CMM), criticando o projeto de resolução nº 020/2025, de autoria da Mesa Diretora, que propõe o retorno das sessões híbridas no Parlamento Municipal.
Guedes classificou a proposta como “um retrocesso” e “um casuísmo inaceitável”, afirmando que a medida representa um golpe contra a transparência e a ética no funcionamento da Casa Legislativa. Segundo ele, o texto do projeto permite que as sessões ocorram de forma virtual ou híbrida sempre que o presidente da Mesa, David Reis (Avante), considerar conveniente, abrindo margem para o afastamento dos vereadores do contato direto com a população.
“É simplesmente inacreditável o papel a que a Câmara Municipal de Manaus se submete. Querem mudar as regras para piorar o funcionamento da Casa, criar casuísmos e driblar critérios mínimos de ética e transparência. Isso é vergonhoso, é imoral e desrespeitoso com a cidade de Manaus”, afirmou Guedes.
O vereador lembrou que as sessões híbridas foram extintas em 2021, após o período pandêmico, e ressaltou que não há qualquer justificativa plausível para que sejam retomadas agora. De acordo com ele, a proposta da Mesa Diretora cria uma brecha para que vereadores possam participar das votações de casa, sem prestar contas à população e sem sequer ligar a câmera durante as reuniões.
“O vereador vai poder ficar em casa, logar no link, desligar a câmera e o microfone, colocar um assessor para acompanhar e pronto. Isso destrói o sentido do Parlamento, porque o papel do vereador é estar aqui, no plenário, de frente para o povo”, criticou.
Guedes ainda alertou para o risco de o dispositivo ser utilizado de forma política, especialmente em situações de pressão popular ou protestos em frente à Câmara.
“Quer dizer agora que se tiver uma manifestação de servidores, professores ou qualquer outro grupo, o presidente pode decretar uma sessão híbrida? É isso que estão querendo? Fugir do povo? Ao invés de encarar as pessoas aqui na galeria, preferem se esconder atrás de uma tela? Isso é um desrespeito com a democracia”, disse o vereador.
O parlamentar fez questão de destacar que seu posicionamento não é contra colegas de mandato, mas contra a tentativa de “flexibilizar regras essenciais de funcionamento da Casa”. Ele reforçou que a função dos vereadores é exercer o mandato com transparência e responsabilidade diante da sociedade.
“Aqui não é mais o Rodrigo vereador, é o Rodrigo cidadão, que não aceita ver a Câmara se transformando nisso. A Câmara é maior do que a gente, é uma instituição que precisa ter regras justas, estáveis, e não pode viver de decisões tomadas de última hora, ao sabor da conveniência política”, declarou.
Durante o discurso, Guedes também fez um apelo aos vereadores da base governista e aos líderes partidários para que reavaliem o apoio à proposta.
“Eu peço, por favor, aos vereadores da base, conversem, reflitam. Isso não é sobre governo ou oposição, é sobre respeito a Manaus, sobre garantir que o Parlamento continue sendo a Casa do Povo e não um instrumento de conveniência política. Marcar uma eleição dois dias antes ou uma sessão híbrida de última hora é inaceitável. A cidade merece mais seriedade”, destacou.
O parlamentar foi acompanhado em suas críticas pelos vereadores Amauri Gomes (UB), José Ricardo (PT) e Coronel Rosses (PL) que também se manifestaram contrários ao projeto. Ambos reforçaram que não há motivo para a retomada das sessões virtuais e que a medida apenas enfraquece a relação entre a Câmara e a população.
Encerrando sua fala, Rodrigo Guedes disse que não participará de “um legado nefasto” que afaste os vereadores da presença popular. “O parlamentar não pode ter medo do povo. Está aqui exatamente para encarar, ouvir e prestar contas. A Câmara precisa ser o espaço do diálogo, do debate e da transparência. Sessão híbrida para fugir da população é uma vergonha, e eu não vou compactuar com isso”.
Na mesma linha, Amauri Gomes disse que a Câmara “deixou de ser a casa do povo” e denunciando o que considera manobras da base governista para aprovar projetos de interesse da Prefeitura de Manaus sem debate público. “Há pessoas que se escondem atrás do regimento interno para manipular decisões que afetam diretamente a população. Essa votação pode ser pautada a qualquer momento, até de manhã cedo, sem que ninguém saiba, como já aconteceu antes. Isso é uma brincadeira com a cara do povo”, afirmou o parlamentar.
O vereador Coronel Rosses também ironizou a proposta e disse que o retorno do modelo híbrido seria uma “armadilha” para afastar os vereadores das discussões presenciais e da fiscalização direta. “Se é mesmo necessário, que façam as sessões nos dias em que não há expediente, nos finais de semana. Quero ver se o vereador vai largar o barco ou a casa na Flórida para trabalhar de verdade pelo povo de Manaus”, provocou.
Rosses ainda sugeriu que o projeto pode ter motivações eleitorais, permitindo que alguns parlamentares se ausentem das sessões durante o período de campanha. “A gente combate as ilegalidades do prefeito, mas também precisa combater as artimanhas montadas dentro desta Casa, sob um regimento que só serve para nos calar, mas quando eles precisam, rasgam e jogam fora”, criticou.
VEJA O PROJETO NA ÍNTEGRA: pr_020_2025_mesa_diretora_altera_regimento_interno_1
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