Os vereadores Rodrigo Guedes (PP) e Capitão Carpê (PL) voltaram a criticar nesta segunda-feira (17), os dois principais temas em debate na Câmara Municipal de Manaus: o projeto de Reforma da Previdência municipal e a proposta que permite a realização de sessões híbridas, além da mudança nas regras da eleição da Mesa Diretora. Ambos reforçaram posicionamento contrário às matérias, afirmando que elas prejudicam servidores e fragilizam a democracia interna da Casa.
“Crueldade” com servidores
Guedes criticou com veemência os impactos da reforma previdenciária sobre aposentadorias. “O projeto reduz vencimentos, tira direitos e obriga mulheres a trabalharem sete anos a mais e homens cinco. É desumano. Hoje os aposentados recebem 100% do último salário; com essa reforma, cairia para uma média de 70%. Isso é cruel”, afirmou.
Carpê classificou a proposta como “injusta” e acusou a Prefeitura de tentar aprovar uma medida impopular a qualquer custo. “É uma reforma que penaliza quem dedicou décadas ao serviço público. Não houve diálogo com as categorias. O servidor está sendo atropelado por uma decisão política”, disse.
Os dois vereadores afirmaram esperar que parte da base do prefeito reavalie o voto. Guedes reforçou o apelo. “Espero que dois ou três vereadores coloquem a mão na consciência e não votem a favor dessa crueldade”, disse.
Acusações de “imoralidade” no projeto das sessões híbridas
Outro ponto de tensão é o projeto que autoriza o presidente da CMM a determinar sessões híbridas sempre que considerar que “o plenário não está seguro”. Carpê disse que o texto abre margem para manobras e retira dos parlamentares o enfrentamento público.
Guedes concordou e apontou possíveis irregularidades no pedido de vistas apresentado no dia 5. “Não existe protocolo, não existe registro, não existe imagem de câmera que comprove o pedido. Isso pode ser caso de falsidade documental. É caso de cadeia. Vou pedir investigação criminal para saber o que aconteceu”, afirmou.
Mudança na eleição da Mesa Diretora é chamada de “casuísmo”
O projeto que permite ao presidente escolher qualquer data do segundo semestre para a eleição da Mesa Diretora, hoje marcada para o primeiro dia útil de dezembro, também recebeu críticas por parte dos parlamentares.
Para Carpê, a medida representa um ataque à democracia interna. “É uma vergonha. O presidente pode escolher a data que lhe for mais conveniente, favorecendo a própria base. Isso impede uma disputa justa”, completou.
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