O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso na manhã deste sábado (22), em sua residência no Distrito Federal, e encaminhado à Superintendência da Polícia Federal. Ele deve passar por audiência de custódia neste domingo (23).
A prisão, de natureza preventiva, foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, após solicitação da Polícia Federal, pedido que também teve aval da Procuradoria-Geral da República.
Na decisão, Moraes afirmou haver indícios de que Bolsonaro preparava um plano de fuga. O monitoramento eletrônico do ex-presidente registrou que sua tornozeleira foi violada por volta de 00h08 deste sábado.
Além disso, o ministro destacou a convocação de uma vigília feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em frente ao condomínio onde o pai mora. Para Moraes, o ato poderia criar tumulto e atrapalhar a fiscalização, favorecendo uma tentativa de fuga.
O ministro comparou o episódio com estratégias já usadas por aliados do ex-presidente, citando, por exemplo, as viagens de Alexandre Ramagem, Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro, que deixaram o país em meio às investigações.
Moraes relembrou também que Bolsonaro chegou a discutir a possibilidade de buscar asilo na Embaixada da Argentina, localizada a cerca de 13 km de sua casa — distância que poderia ser percorrida rapidamente.
Condição atual
Bolsonaro estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto, com uso obrigatório de tornozeleira eletrônica. As restrições foram impostas porque, segundo as investigações, ele tentava interferir no andamento de processos.
A detenção deste sábado não tem relação direta com a condenação do ex-presidente a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. Essa condenação ainda não transitou em julgado e segue em fase recursal.
A detenção ocorreu por volta das 6h. De acordo com fontes próximas, Bolsonaro não resistiu. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não estava no local.
Às 6h35, o comboio da PF chegou à sede do órgão, onde o ex-presidente passou pelos procedimentos iniciais. Depois, ele foi encaminhado para uma “Sala de Estado”, espaço reservado a autoridades, semelhante ao usado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante sua detenção em Curitiba.
Na véspera da prisão, a defesa havia solicitado ao STF que Bolsonaro fosse autorizado a cumprir eventual pena em prisão domiciliar humanitária, alegando quadro de saúde delicado e múltiplas comorbidades. Segundo os advogados, sua permanência no sistema prisional representaria risco à vida do ex-presidente.
Os advogados afirmaram que recorrerão tanto da prisão preventiva quanto da condenação já proferida.
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