instalação da roda-gigante no Complexo Turístico da Ponta Negra segue gerando fortes reações na Câmara Municipal de Manaus. Três vereadores — Capitão Carpê (PL), Rodrigo Guedes (PP) e Rodrigo Sá (PP) — cobraram, em manifestações distintas, esclarecimentos da Prefeitura de Manaus sobre a legalidade, segurança e transparência do processo que autorizou o funcionamento do equipamento.
Carpê: “A marca dessa gestão é a ausência de transparência”
O vereador Capitão Carpê voltou a cobrar acesso ao processo administrativo que autorizou a atração. Ele apresentou o requerimento nº 17.306, solicitando documentos como alvará de funcionamento, identificação da empresa responsável, projetos arquitetônicos, ARTs, laudos técnicos e comprovações de vistoria do Corpo de Bombeiros.
Carpê afirma que o questionamento não se trata de oposição ao lazer na cidade, mas de preocupação com a segurança. “Ninguém é contra a Ponta Negra estar bonita ou ter opções de entretenimento. O problema é a ausência de transparência, que infelizmente virou marca dessa gestão”, declarou.
Ele também relembrou o episódio da interrupção de energia no equipamento, que gerou troca de acusações entre o prefeito David Almeida e o vereador Amauri Gomes. “Acusar um parlamentar de desligar energia é gravíssimo. E acreditar que alguém faria isso seria imprudente. A Prefeitura, mais uma vez, não apresentou transparência.”
Guedes questiona legalidade e vê suspeitas na autorização
O vereador Rodrigo Guedes reforçou que qualquer atividade comercial na Ponta Negra precisa passar por trâmites formais, e acusou a Prefeitura de ignorar procedimentos essenciais. Segundo ele, o fato de a empresa responsável pela roda-gigante ter sido aberta dois dias antes de receber autorização levanta suspeitas.
“Manaus não pertence ao David Almeida. Não existe autorização verbal ou dada por amizade. Isso abre margem para dúvidas sobre possíveis vantagens indevidas”, afirmou.
Guedes também cobrou documentos obrigatórios, como o AVCB do Corpo de Bombeiros e autorizações de engenharia. Sobre a pane elétrica, rebateu a acusação do prefeito contra um ex-vereador e disse que o problema teria sido causado por sobrecarga, motivo pelo qual geradores foram instalados posteriormente. Ele ainda afirmou que acionará o Ministério Público e o Tribunal de Contas para garantir fiscalização independente.
Rodrigo Sá pede equilíbrio e critica “posturas atabalhoadas”
Embora também cobre explicações da Prefeitura, o vereador Rodrigo Sá adotou tom mais cauteloso. Para ele, o debate tem sido conduzido com precipitação e atitudes que extrapolam o papel fiscalizatório do Legislativo.
“Temos visto posturas assodadas, atabalhoadas. É legítimo investigar, mas isso precisa ser feito com responsabilidade institucional. Atitudes impetuosas podem ser perigosas”, disse.
Sá também destacou o fato de a empresa responsável ter sido criada dias antes da operação e afirmou que isso exige esclarecimentos formais da gestão municipal. “No direito administrativo, a ocupação de espaço público exige procedimento formal e transparente, com oportunidade para concorrência. Precisamos saber qual trâmite foi adotado”, afirmou.
Apesar das críticas à condução do debate, ele reforçou que a Prefeitura deve apresentar toda a documentação e, caso haja irregularidades, responsabilizar os envolvidos.