Ministério Público investiga falta de pagamento do Fundeb para profissionais da educação em Maraã

Ministério Público investiga possíveis irregularidades no repasse de recursos do Fundeb para profissionais da rede municipal de Maraã, no interior do Amazonas.
Redação O Poder
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O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) abriu procedimento para investigar possíveis irregularidades no repasse de recursos do Fundeb no município de Maraã, no interior do estado. A apuração foi motivada por denúncias de professores da rede municipal que afirmam não ter recebido valores referentes ao ano de 2025.

A investigação está sob responsabilidade do promotor de Justiça Marcos Túlio Pereira Correia Júnior, que notificou o prefeito Pastor Edir (União) e a Secretaria Municipal de Educação (Semed) para que apresentem esclarecimentos sobre a ausência dos pagamentos. As reclamações chegaram ao MP de forma anônima, já que os denunciantes relataram receio de sofrer represálias.

Segundo o promotor, o procedimento busca verificar se houve descumprimento das obrigações legais relacionadas ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). O órgão também questiona se os repasses foram realizados regularmente nos anos anteriores.

Criado pela Lei nº 14.113/2020, o Fundeb é responsável por financiar a educação básica pública e garantir a valorização dos profissionais da área. A legislação estabelece que, no mínimo, 70% dos recursos devem ser destinados ao pagamento de professores e demais trabalhadores da educação. O não cumprimento dessa regra pode caracterizar improbidade administrativa, violação da Lei de Responsabilidade Fiscal e até crime de responsabilidade.

Como parte da apuração, o Ministério Público determinou que a Prefeitura de Maraã apresente, no prazo de 15 dias, um relatório detalhado dos valores recebidos do Fundeb nos anos de 2023, 2024 e 2025, com discriminação mensal dos repasses. Também foi solicitada a comprovação da aplicação dos recursos em 2025, incluindo os valores destinados aos profissionais da educação e a justificativa para eventuais atrasos, além de um cronograma para regularização dos débitos.

A Secretaria Municipal de Educação também deverá encaminhar documentos que comprovem os pagamentos realizados nos anos anteriores, como contracheques e extratos bancários, além de informar a situação atual dos repasses de 2025, indicando quais profissionais ainda não receberam e a previsão de quitação.

No ofício encaminhado aos gestores, o MPAM alertou que o descumprimento das requisições pode resultar no ajuizamento de ação civil pública, além de comunicação aos órgãos de controle e responsabilização pessoal dos envolvidos.

Para o Ministério Público, a correta aplicação dos recursos do Fundeb é uma obrigação constitucional e está diretamente ligada à garantia do direito à educação e à valorização dos profissionais da rede pública.

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