O Governo do Amazonas lançou, nesta segunda-feira (26/01), um novo portal da Saúde que permite acompanhar, em tempo real, informações sobre filas de espera, volume de atendimentos e serviços disponíveis na rede estadual. A iniciativa é apresentada como um passo importante para ampliar a transparência e aprimorar a gestão do sistema público de saúde.
Durante o lançamento, o governador Wilson Lima destacou que a principal transformação na área foi a reorganização da rede por meio da tecnologia. Segundo ele, antes da digitalização, o Estado enfrentava processos considerados obsoletos, com excesso de papel, perda de dados, retrabalho e fluxos de atendimento que não acompanhavam as necessidades atuais.
“Estamos usando inovação e gestão eficiente para salvar vidas e tornar o sistema de saúde mais acessível e transparente”, destacou.
Com a implantação de sistemas digitais, o governo afirma ter passado a monitorar com mais precisão a demanda das unidades de saúde, o que facilita a tomada de decisões e o direcionamento de recursos conforme a realidade de cada hospital.
“O principal desafio na rede estadual de saúde do Amazonas era organizar a rede, porque ela estava toda desorganizada. Os processos ainda eram arcaicos, com trânsito de papel, com perda de informação, com repetição de procedimentos, com fluxos que precisavam ser modernizados, com metodologia e a implantação de novos equipamentos para agilizar os atendimentos”, disse ele.
Tempo de espera
Um dos principais recursos do novo portal é a divulgação do tempo médio de espera para atendimento em SPAs e policlínicas da rede estadual. A proposta é permitir que o cidadão consulte as informações antes de sair de casa e escolha a unidade com menor fila.
Além disso, a plataforma reúne dados sobre a quantidade de atendimentos realizados e os serviços ofertados em cada unidade. As informações ficam acessíveis não apenas à gestão estadual, mas também a órgãos de controle, parlamentares, imprensa e à população em geral.
De acordo com o governo, o sistema ainda está em sua primeira versão e deve receber novas funcionalidades ao longo dos próximos meses.
“O cidadão também pode acompanhar. E isso é importante porque a gente está colocando o tempo de espera de atendimento nas unidades de saúde. Isso é fundamental para o paciente na hora de tomar uma decisão que unidade ele deve procurar. Então tem ali cada unidade, qual o tempo que está sendo de espera no SPA, numa policlínica”, destacou Wilson Lima.
Facilidade para o interior do AM
Outro ponto enfatizado foi o uso da tecnologia para reduzir as distâncias entre o interior do Estado e os serviços especializados. A gestão ampliou a oferta de consultas por meio da telesaúde, com atendimento médico em diversas especialidades e funcionamento 24 horas.
Segundo o governador, nas consultas especializadas realizadas por telemedicina, o tempo de espera não ultrapassa 20 dias. O Estado também informou a ampliação de leitos de UTI no interior e a adoção de um sistema que acompanha, em tempo real, a ocupação de leitos em diferentes regiões.
“O interior, naturalmente, que tem uma dinâmica diferente com relação à cidade e o que a gente está trabalhando com o cidadão é a questão da telemedicina. Isso, para ele, é fundamental, porque ele não vai enfrentar tanta dificuldade numa unidade de saúde lá com relação ao tempo de espera a um atendimento. Na nossa telesaúde, ele não espera mais de 20 dias para ter uma consulta especializada marcada. Então isso, para ele, lá vai funcionar dessa forma, levando em consideração que é uma dinâmica diferente em relação à capital”, disse ele.
Investimentos
Durante a apresentação, Wilson Lima também chamou atenção para os custos envolvidos na manutenção da rede hospitalar. De acordo com ele, a construção de um complexo hospitalar pode variar entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões, enquanto o custo mensal para manter uma estrutura desse porte gira entre R$ 32 milhões e R$ 35 milhões.
O governador ressaltou que o principal desafio não está apenas na construção de prédios, mas em garantir o pleno funcionamento das unidades. Como exemplo, citou o Hospital Delphina Aziz, que passou de 35 leitos ativos em 2018 para 362 atualmente, além da ampliação de serviços de alta complexidade.
“Com relação à construção e ao funcionamento das unidades de saúde, hoje, um hospital como um Complexo Hospitalar Sul, ele deve estar orçado em 100 milhões, 150 milhões de reais. Isso é a construção, é uma obra entregue, pronta. Para manter um complexo daquele, você gasta por mês 32, 35 milhões de reais. Então, é muito mais barato você construir do que você manter uma unidade dessa. Agora, não adianta você só construir se você não colocar para funcionar. O problema do Amazonas não era a falta de hospitais”, afirmou Wilson Lima.