A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) retoma os trabalhos no próximo dia 5 de fevereiro, com agenda definida para reuniões deliberativas e novos depoimentos. A previsão inicial é de que o relatório final seja apresentado em 23 de março, mas a possibilidade de prorrogação já está em discussão no Congresso Nacional.
O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), iniciou a coleta de assinaturas para ampliar o prazo de funcionamento da CPMI, atualmente previsto para encerrar em 28 de março. Segundo ele, ainda há pontos relevantes a serem aprofundados, especialmente no que diz respeito aos descontos indevidos aplicados diretamente na folha de pagamento de aposentados e pensionistas.
Viana avalia que a complexidade das investigações exige mais tempo para garantir a responsabilização completa dos envolvidos. O senador afirmou que o pedido de prorrogação será analisado pelo Parlamento com base no interesse público e no papel constitucional de fiscalização do Legislativo.
Instalada em 20 de agosto, a CPMI do INSS realizou 29 reuniões até o início de dezembro e volta aos trabalhos com foco, em 2026, na apuração de fraudes em empréstimos consignados, incluindo denúncias de assédio a beneficiários, contratos firmados sem consentimento e renovações irregulares que resultaram em dívidas consideradas impagáveis.
Ao longo de 2025, a comissão ouviu 26 testemunhas e analisou cerca de 4,8 mil documentos. Também foram aprovados 73 requerimentos de informação, 48 quebras de sigilo e identificadas 108 empresas suspeitas, além de movimentações financeiras que ultrapassam R$ 1,2 bilhão.
Durante os trabalhos, alguns depoentes optaram por permanecer em silêncio amparados por decisões judiciais, enquanto outros foram acusados de prestar informações falsas. Em razão disso, a CPMI determinou prisões e conduções coercitivas, reforçando o entendimento de que houve um esquema estruturado de fraudes contra beneficiários do INSS.
A retomada das atividades ocorre em meio à expectativa de aprofundamento das investigações e à definição sobre a ampliação do prazo da comissão, considerada essencial por parlamentares para a conclusão das apurações.
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), disse nesta quinta-feira (29) que o dono do banco Master, Daniel Vorcaro, e o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, devem falar ao colegiado na próxima quinta-feira (5). Viana pretende prorrogar os trabalhos da CPMI por pelo menos 60 dias e anunciou que nos próximos dias vai discutir isso com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Foto: Reprodução Agência Senado
Com informações da Agência Senado.