Vereadores cassados do DC em Roraima vão ser julgados nos próximos 30 dias na 2º instância

Vereadores cassados do partido Democracia Cristã em Roraima aguardam julgamento em segunda instância por fraude à cota de gênero nas eleições.
Redação O Poder
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O juiz eleitoral Jaime Plá Pujades de Ávila, da 5ª Zona Eleitoral de Roraima, rejeitou os recursos apresentados pelos vereadores Roberto Franco e Adnan Lima, ambos do Democracia Cristã (DC), e determinou o envio do processo ao Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR). A decisão foi assinada nesta quarta-feira (4) e encerra a tramitação do caso na primeira instância.

Com isso, a sentença que cassou os mandatos dos parlamentares por fraude à cota de gênero nas eleições municipais de 2024, em Boa Vista, permanece válida até que o TRE-RR analise os recursos. Os vereadores seguem exercendo os cargos enquanto aguardam o julgamento em segunda instância.

Na decisão, o magistrado destacou que o processo está devidamente instruído e apto para apreciação pelo tribunal. “Verifica-se que o feito encontra-se devidamente instruído para apreciação pela instância superior”, afirmou ao determinar a remessa dos autos.

Fraude eleitoral

A ação de investigação judicial eleitoral aponta que o DC teria utilizado candidaturas femininas fictícias para simular o cumprimento da exigência legal de, no mínimo, 30% de mulheres na chapa proporcional. Segundo a sentença proferida em novembro de 2025, o esquema envolveu votações irrisórias, ausência de atos de campanha, movimentações financeiras padronizadas e prestações de contas praticamente idênticas entre as candidatas.

Uma confissão anexada aos autos pelo ex-candidato Wan Kenobby Cha Costa, conhecido como Ruan Kenobby, detalhou o funcionamento do esquema. Ele afirmou que as candidatas “fakes” recebiam pagamentos mensais de R$ 1 mil e apontou Roberto Franco e Adnan Lima como articuladores da fraude, além de apresentar comprovantes de transferências financeiras.

Diante dos fatos, a Justiça Eleitoral anulou o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP) do DC, invalidou todos os votos da legenda e determinou a cassação dos diplomas dos vereadores eleitos pelo partido.

Manifestação do Ministério Público

Apesar de concordar com a existência da fraude, o Ministério Público Eleitoral (MPE) apontou falhas processuais na decisão de primeira instância e chegou a pedir a anulação da sentença para que o processo retornasse à fase anterior. Segundo o promotor eleitoral Carlos Alberto Melotto, a condenação foi proferida sem o parecer final do MPE e sem que os investigados tivessem oportunidade de se manifestar sobre uma prova apresentada nos momentos finais do processo.

Para o MPE, a correção dessas falhas seria necessária para evitar que a decisão fosse anulada futuramente em instâncias superiores. Mesmo assim, o juiz rejeitou os recursos e optou por encaminhar o caso diretamente ao TRE-RR.

Próximos passos

Além da cassação dos mandatos, a decisão também tornou inelegíveis por oito anos Roberto Franco, Adnan Lima e Wan Kenobby, contados a partir de 6 de outubro de 2024. Caberá agora ao TRE-RR decidir se mantém, modifica ou anula a sentença.

Caso a cassação seja confirmada, a Justiça Eleitoral deverá recalcular os quocientes eleitoral e partidário para definir quem assumirá as vagas na Câmara Municipal de Boa Vista.

Colaborou o jornalista Jhonatan Souza – Roraima

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