A Polícia Civil do Amazonas deflagrou, na manhã desta sexta-feira (20), a Operação Erga Omnes, que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção e violação de sigilo funcional.
De acordo com as investigações, o grupo teria estruturado um núcleo com influência dentro de órgãos dos três poderes no estado.
Prisões e mandados
Até a última atualização, 13 pessoas haviam sido presas , oito delas no Amazonas. Ao todo, a Justiça autorizou 24 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, cumpridos em Manaus e nos estados do Pará, Minas Gerais, Ceará, Piauí, Maranhão e São Paulo.
Apontado como líder do esquema, Alan Kléber Bezerra Lima não foi localizado. Segundo a polícia, ele deixou São Paulo durante a madrugada. A esposa dele acabou presa por agentes paulistas.
Quem são os investigados no Amazonas
Entre os alvos da operação estão servidores públicos e ex-assessores parlamentares: Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), investigado por possível participação no esquema.
Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus. Até 2023, exerceu a função de chefe de gabinete do prefeito David Almeida (Avante), que não é alvo da investigação. Conforme a polícia, ela teria papel estratégico na articulação do chamado núcleo político do grupo.
Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), também investigada por suposta ligação com a organização.
Alcir Queiroga Teixeira Júnior – citado nas apurações por movimentações financeiras consideradas suspeitas.
Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar, apontado como intermediário entre o núcleo político e a estrutura criminosa.
Osimar Vieira Nascimento – policial militar sob investigação por possível envolvimento na engrenagem do grupo.
Bruno Renato Gatinho Araújo – investigado por participação direta nas atividades ilícitas.
Ronilson Xisto Jordão –preso em Itacoatiara e apontado como integrante da organização.
Movimentação milionária
Segundo o delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), a organização teria movimentado aproximadamente R$ 70 milhões em um período de quatro anos — média de R$ 9 milhões anuais desde 2018.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) identificaram transações consideradas incompatíveis com os rendimentos declarados por servidores públicos investigados.
A apuração indica que o grupo utilizava empresas registradas nos setores de transporte e logística para dar aparência legal às operações financeiras. No entanto, essas empresas não apresentavam atividade comercial compatível com o ramo declarado.
Conforme a polícia, o dinheiro era empregado na compra de drogas na Colômbia, com entrada pela região de Tabatinga, e posterior envio para Manaus. Da capital amazonense, os entorpecentes seriam redistribuídos para outros estados.
Crimes investigados
Os envolvidos poderão responder por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e violação de sigilo funcional.
As investigações seguem em andamento e novas informações poderão ser divulgadas após o cumprimento integral das medidas judiciais.