Coronel Rosses não descarta impeachment após operação que atingiu servidora ligada à Prefeitura de Manaus

Para o parlamentar, o episódio traz reflexos institucionais graves e precisa ser debatido de forma ampla no Legislativo municipal
Redação O Poder
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Em entrevista ao site O Poder, o vereador Coronel Rosses (PL) comentou os desdobramentos da operação deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas que resultou na prisão de uma servidora com passagem pelo gabinete do prefeito David Almeida.

Para o parlamentar, o episódio traz reflexos institucionais graves e precisa ser debatido de forma ampla no Legislativo municipal.

Rosses destacou que não se trata, segundo ele, de uma servidora comum, mas de uma policial que exerceu funções estratégicas na área de segurança pública e que acompanhou a trajetória política do prefeito desde o período em que ele era deputado estadual. A servidora também ocupou a chefia de gabinete até 2023 e, posteriormente, passou a integrar a Comissão de Licitação do município, setor que, conforme o vereador, já vinha sendo alvo de questionamentos na Câmara.

O parlamentar afirmou que os fatos revelados pela investigação reforçam críticas feitas anteriormente por ele sobre contratações e dispensas de licitação realizadas pela gestão municipal. Segundo Rosses, é necessário que todas as circunstâncias sejam apuradas com rigor, especialmente no que diz respeito à atuação da comissão responsável pelos processos licitatórios.

Ele informou que, na retomada dos trabalhos legislativos após o recesso, pretende propor a realização imediata de uma audiência pública para discutir o caso com a sociedade. Na condição de presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara Municipal de Manaus, afirmou que solicitará formalmente à Polícia Civil acesso às informações que possam ser compartilhadas institucionalmente, a fim de embasar o debate de forma técnica e responsável.

Rosses também declarou que, dependendo do avanço das investigações e dos elementos que vierem a público, poderá ser discutida até mesmo a abertura de um processo de impeachment do prefeito. Ele ressaltou, contudo, que qualquer medida deverá se apoiar em fatos concretos e dentro dos parâmetros legais.

Ao avaliar o cenário mais amplo, o vereador criticou o que considera falhas nos critérios de nomeação para cargos estratégicos na administração pública. Para ele, faltam mecanismos mais rigorosos de verificação de antecedentes e análise técnica antes da ocupação de funções sensíveis tanto no município quanto no Estado.

“O que a população espera é transparência e responsabilidade”, afirmou. Segundo Rosses, o caso expõe a necessidade de reforçar mecanismos de controle e fiscalização, para evitar que estruturas públicas sejam eventualmente utilizadas de maneira indevida.

A Prefeitura de Manaus já declarou, em nota, que não é alvo formal da operação e que eventuais responsabilidades são individuais. As investigações seguem em andamento.

O vereador Raiff Mattos, também membro do PL, disse estar acompanhando os desdobramentos da Operação Erga Omnes com serenidade e respeito às instituições. Ele afirmou que é fundamental reconhecer o trabalho das autoridades policiais e do Judiciário, garantindo que toda apuração ocorra com rigor, dentro da lei e com pleno direito à defesa.

Raiff afirmou ainda que eventuais culpados, uma vez comprovadas as responsabilidades, devem ser punidos com o máximo rigor legal e finalizou dizendo que o momento exige responsabilidade, cautela e compromisso com a verdade.

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