A reação às declarações do prefeito David Almeida durante o lançamento de sua pré-candidatura ao Governo do Amazonas elevou a temperatura política na Câmara Municipal de Manaus (CMM). Parlamentares de diferentes perfis ocuparam a tribuna para criticar o chefe do Executivo municipal, especialmente após as manifestações consideradas ataques à Operação Erga Omnes e às instituições responsáveis pela investigação.
A operação, conduzida pela Polícia Civil do Amazonas, apura supostos vínculos entre pessoas ligadas à gestão municipal e o crime organizado. As medidas cautelares foram autorizadas pelo Tribunal de Justiça do Amazonas, com manifestação do Ministério Público do Estado do Amazonas, e o caso segue sob sigilo judicial.
Coronel Rosses pede CPI e impeachment
O vereador Coronel Rosses (PL) afirmou que a população espera esclarecimentos objetivos sobre os fatos investigados. Segundo ele, o prefeito precisa apresentar provas caso sustente que a operação não tem fundamento.
“Se há alegação de injustiça ou perseguição, que se comprove. Associação ao crime é algo gravíssimo e precisa ser tratado com transparência”, declarou.
Rosses informou que protocolou pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e também de impeachment, defendendo que a Câmara cumpra seu papel fiscalizador diante da gravidade das denúncias.
Rodrigo Sá fala em desrespeito institucional
Também na tribuna, o vereador Rodrigo Sá, que é delegado de polícia, classificou como “ataque frontal” as declarações do prefeito contra a operação.
Para ele, questionar a legitimidade da investigação sem apresentar provas representa desrespeito às instituições do sistema de Justiça. O parlamentar destacou que medidas como prisões e buscas passam por fundamentação técnica, parecer do Ministério Público e decisão judicial.
“Quem decreta prisão é o Judiciário. Existe rito, existe base legal. Desqualificar isso é afrontar o devido processo legal”, afirmou.
Amaury Gomes cobra responsabilidade
O vereador Amaury Gomes também criticou o tom adotado pelo prefeito e defendeu a abertura de CPI para investigar a atuação da Comissão Municipal de Licitação.
Segundo ele, a reação do chefe do Executivo demonstra fragilidade política e administrativa. Amaury questionou ainda a capacidade de Almeida de disputar o Governo do Estado diante dos problemas estruturais enfrentados por Manaus.
“A cidade enfrenta alagamentos, problemas de infraestrutura e reclamações constantes. É preciso responsabilidade antes de buscar voos maiores”, disse.
O parlamentar declarou que, caso um eventual pedido de impeachment vá a plenário, votará favoravelmente.
Capitão Carpê fala em preocupação institucional
Já o vereador Capitão Carpê (PL) afirmou que o prefeito deveria apoiar as investigações, caso confie na inocência dos citados.
“Quem não deve, não teme. Se há inocência, que seja comprovada dentro do processo legal”, declarou.
Carpê ressaltou que qualquer eventual comprovação de vínculo entre agentes públicos e organizações criminosas seria extremamente grave e preocupante para a administração municipal.
Rodrigo Guedes questiona uso de recursos públicos
O vereador Rodrigo Guedes anunciou que irá formalizar pedido para que a CMM não pague diárias a parlamentares que deixaram a sessão plenária para participar do evento político de lançamento da pré-candidatura de David Almeida.
Segundo ele, recursos públicos devem ser destinados exclusivamente a atividades institucionais. Guedes também reagiu às declarações do prefeito, afirmando que o cenário demonstra forte tensão política.
O embate ocorre em meio à consolidação das articulações para as eleições de 2026 e amplia o debate sobre responsabilidade institucional, transparência e os desdobramentos da Operação Erga Omnes no cenário político do Amazonas.