Relatório da prefeitura aponta repasses de R$ 661 mil à comunicação e é enviado à PF em meio à crise política em Macapá

Segundo a atual administração, os repasses teriam ocorrido em 4 de março, mesma data em que a operação da Polícia Federal levou ao afastamento do então prefeito Antônio Furlan (PSD). Os valores foram distribuídos entre emissoras de televisão, portais de notícias, blogs, produtoras e páginas em redes sociais
Redação O Poder
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A Prefeitura de Macapá encaminhou à Polícia Federal do Brasil um relatório que aponta pagamentos de R$ 661.978,59 realizados pela Secretaria Municipal de Comunicação (Secom) a veículos de mídia, produtoras e perfis digitais. A documentação foi apresentada pelo prefeito em exercício Pedro DaLua (União Brasil) em meio às investigações da Operação Paroxismo, que apura suspeitas de corrupção envolvendo a gestão municipal.

Segundo a atual administração, os repasses teriam ocorrido em 4 de março, mesma data em que a operação da Polícia Federal levou ao afastamento do então prefeito Antônio Furlan (PSD). Os valores foram distribuídos entre emissoras de televisão, portais de notícias, blogs, produtoras e páginas em redes sociais.

A equipe da prefeitura informou que os documentos serão analisados pela PF para verificar se houve irregularidades ou eventual uso de recursos públicos para financiar conteúdos políticos nas redes.

Durante coletiva, DaLua afirmou que o objetivo é garantir transparência no processo. “Queremos que tudo seja investigado com clareza. A população precisa saber como os recursos públicos foram utilizados”, declarou.

Suspeita de estrutura de influência digital
De acordo com o levantamento preliminar apresentado pela atual gestão, parte dos pagamentos teria sido direcionada a comunicadores e páginas digitais que, segundo a prefeitura, atuavam com conteúdos favoráveis ao ex-prefeito e com críticas a adversários políticos e ao Poder Judiciário.

Entre os documentos entregues à Polícia Federal estão planilhas de pagamentos, notas fiscais e registros que relacionariam transferências financeiras à produção de conteúdos nas redes sociais.

Uma das movimentações que chamou a atenção da equipe técnica foi um conjunto de transferências intermediadas por uma agência de publicidade, que teria repassado cerca de R$ 500 mil a prestadores de serviços de comunicação no mesmo período da operação policial.

A prefeitura informou que o material também inclui registros ligados a contratos publicitários firmados durante a gestão anterior.

Criação de gabinete emergencial
Em meio à crise administrativa, DaLua anunciou ainda a criação de um Gabinete de Emergência Administrativa e Financeira para avaliar a situação das contas públicas e garantir a continuidade de serviços essenciais.

O projeto de lei que formaliza a estrutura foi encaminhado à Câmara Municipal de Macapá e prevê funcionamento inicial de 60 dias, com possibilidade de prorrogação.

A equipe será composta por secretários de áreas consideradas estratégicas, como saúde, educação, obras e finanças. O objetivo é realizar um diagnóstico da situação administrativa da prefeitura após o afastamento da gestão anterior.

Segundo o prefeito em exercício, a medida foi necessária porque não houve processo formal de transição após o afastamento do prefeito e do vice, investigados na Operação Paroxismo.

“Entramos praticamente em um voo cego. Precisamos ter acesso às informações da administração para garantir o funcionamento da prefeitura e retomar serviços que estão paralisados”, afirmou.

Investigação segue em andamento
A Polícia Federal do Brasil deve cruzar os dados apresentados pela prefeitura com informações obtidas por meio de quebras de sigilo bancário e fiscal já autorizadas pela Justiça.

Caso sejam confirmadas irregularidades na destinação dos recursos, as investigações podem resultar na abertura de novos processos por improbidade administrativa e eventual desvio de verbas públicas.

Até o momento, a defesa do ex-prefeito Antônio Furlan tem negado irregularidades e afirma que as acusações têm motivação política.

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