Levantamento divulgado pelo Iveritas em parceria com o Imediato mostra um novo desenho da disputa pelo Governo do Amazonas em 2026. No cenário estimulado testado pelo instituto, o senador Omar Aziz (PSD) aparece na liderança com 36,56% das intenções de voto, seguido por Maria do Carmo Seffair (PL), com 28,27%, e pelo prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), com 20,25%. Brancos e nulos somam 6,71%, enquanto 8,20% disseram não saber em quem votar. Na rejeição, David também aparece em situação mais delicada: 40,02% afirmam que não votariam nele, contra 22,55% de Omar e 22,01% de Maria do Carmo.
O principal efeito político dos números é que a disputa pelo governo deixa de parecer um confronto simples entre dois nomes tradicionais e passa a mostrar três movimentos distintos ao mesmo tempo. Omar preserva a condição de líder, Maria do Carmo se consolida como candidatura em crescimento e David Almeida entra numa zona de maior pressão por combinar terceiro lugar com a maior rejeição do cenário. É uma fotografia que não retira ninguém do jogo, mas muda a hierarquia da corrida.
Omar chega à nova rodada mantendo uma tendência que já vinha aparecendo em pesquisas anteriores. Em julho de 2025, levantamento do Ipen mostrava o senador com 36,3% em cenário com David Almeida e Maria do Carmo; em novembro, outra pesquisa Ipen o colocava com 31,6%, ainda na frente de David, que tinha 25,1%, e de Maria, com 14,3%; já em março deste ano, a Quaest registrou Omar com 33%, contra 23% de David e 21% de Maria.
A novidade mais forte da pesquisa está no desempenho de Maria do Carmo. Em vez de aparecer apenas como candidatura alternativa, ela surge agora num patamar mais competitivo, com 28,27%, reduzindo a distância para Omar e se descolando de David na disputa por espaço político. Quando comparada à série recente, a evolução chama atenção: ela tinha 19,2% no cenário com David testado em julho de 2025, passou a 14,3% no quadro de quatro nomes em novembro, apareceu com 21% na Quaest de março e agora chega a 28,27% na Iveritas. O movimento sugere que Maria deixou de ser apenas uma aposta e passou a ocupar de forma mais consistente o campo de enfrentamento ao bloco político tradicional do estado.
Para David Almeida, o problema central não é apenas estar atrás dos dois adversários, mas o peso da rejeição. Em julho de 2025, o Ipen já apontava o prefeito com 30,3% de rejeição; em novembro, esse índice ficou em 30,40%; agora, a Iveritas leva esse número a 40,02%. Em campanhas majoritárias, rejeição alta não inviabiliza automaticamente uma candidatura, mas impõe teto de crescimento e aumenta a dificuldade de formar maioria numa eventual reta final. No caso de David, isso significa que ele precisa não apenas crescer em intenção de voto, mas reduzir uma resistência que se mantém como a maior entre os principais concorrentes.
Depois da coleta, Wilson Lima renunciou ao governo para disputar o Senado, Tadeu de Souza deixou a vice para concorrer a deputado federal e Roberto Cidade assumiu interinamente o comando do Estado. Com isso, a pesquisa passou a retratar um cenário anterior à reviravolta institucional que mexeu diretamente no ambiente eleitoral amazonense.
Esse ponto é importante porque o levantamento não testou Roberto Cidade na corrida ao governo. Até aqui, o nome do presidente da Assembleia não vinha sendo tratado pelos institutos como protagonista da disputa majoritária estadual. Agora, porém, com a posse interina e a possibilidade de protagonismo na eleição indireta, Cidade passa a ser uma variável política que as próximas pesquisas terão de medir. A partir deste momento, qualquer fotografia da sucessão estadual que ignore o efeito da máquina, da visibilidade e da reorganização do campo governista corre o risco de sair incompleta.
Outro dado relevante é que Omar parece chegar mais pronto eleitoralmente para este estágio da corrida. A Quaest divulgada em março mostrou o senador liderando também em cenários de segundo turno, além de apresentar o maior potencial de voto entre os nomes testados. Isso ajuda a explicar por que, mesmo com mudanças no tabuleiro, ele segue como referência central da disputa: é o candidato que combina recall, competitividade e menor oscilação entre levantamentos diferentes.
No conjunto, a Iveritas/Imediato redesenha a corrida ao governo menos por mudar o líder e mais por alterar o sentido da disputa. Omar continua na frente, mas o crescimento de Maria do Carmo embaralha o segundo pelotão e pressiona David Almeida justamente no ponto em que ele mais precisa de força: a capacidade de converter presença política em viabilidade eleitoral. Com Wilson fora desse páreo específico e Roberto Cidade ainda não testado, o próximo desafio dos institutos será medir se o jogo segue nesse trilho ou se a nova configuração do poder no estado abrirá uma quarta força real na corrida de 2026.