Inquérito da PF coloca governador de Roraima no centro de esquema operacional na Seinf

O timing da revelação é devastador para o Palácio Hélio Campos. Nesta terça-feira (14), o TSE julgará a chapa Denarium-Damião por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022
Redação O Poder
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A estabilidade política de Roraima sofreu um novo abalo nesta segunda-feira (13). O inquérito realizado pela Polícia Federal (PF), segundo reportagem do G1 RR, revela que o atual governador, Edilson Damião (União Brasil), é apontado pelos investigadores como o “braço operacional” de uma organização criminosa instalada no seio da Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinf).

A denúncia surge em um momento de fragilidade institucional máxima: Damião, que assumiu o Executivo há menos de 20 dias após a renúncia de Antonio Denarium (Republicanos), encara não apenas o peso das investigações policiais, mas também um julgamento decisivo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcado para esta terça-feira (14).

A análise dos dados extraídos de celulares apreendidos em janeiro de 2026 desenha um cenário de controle absoluto sobre os processos licitatórios da Seinf durante o período em que Edilson era o titular da pasta e vice-governador. Segundo a PF, o esquema se sustentava em três pilares fundamentais:

Restrição da Competitividade: A imposição de licitações presenciais em detrimento do pregão eletrônico, dificultando a participação de empresas de fora do “círculo de confiança”.

Direcionamento Explícito: Favorecimento sistêmico da empresa C B Pedra Serviços e Construções (Rodoplacas), que faturou R$ 162,9 milhões entre 2021 e 2025.

Antecipação de Resultados: O achado mais contundente dos investigadores é uma planilha de emendas parlamentares onde nomes de futuros “vencedores” já constavam manuscritos antes mesmo da publicação dos editais.

Braço Operacional vs. Braço Financeiro

A investigação da PF sugere uma estrutura profissionalizada. Enquanto Edilson Damião atuava no “chão de fábrica” da Seinf — viabilizando os contratos e ajustando os termos técnicos para beneficiar grupos específicos —, o ex-chefe da Casa Civil, Disney Barreto Mesquita, é identificado como o “cérebro financeiro”.

Mesquita seria o responsável por lavar os recursos desviados por meio de uma rede complexa de postos de gasolina e hotéis, funcionando como o elo entre o poder público e o empresariado.

O timing da revelação é devastador para o Palácio Hélio Campos. Nesta terça-feira (14), o TSE julgará a chapa Denarium-Damião por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Se cassados, Roraima pode mergulhar em um novo processo de escolha de lideranças, sob a sombra de um dos maiores escândalos de corrupção da história recente do estado.

Outro Lado

Em nota, o Governo de Roraima afirmou desconhecer a investigação. A defesa do empresário Clóvis Braz classificou as conclusões da PF como “meras ilações”. Já Disney Mesquita rechaçou integralmente qualquer associação com práticas ilícitas, afirmando não possuir contratos com o Estado.

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