Ex-vereadora de Boa Vista é declarada inelegível até 2032 por compra de votos

Juliana Garcia (PP) foi sentenciada por abuso de poder econômico nas eleições de 2024; esquema envolvia pagamentos de até R$ 200 por eleitor e apreensão de R$ 66 mil em espécie
Redação O Poder
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A Justiça Eleitoral de Roraima aplicou um duro golpe na trajetória política da ex-vereadora Juliana Garcia (Progressistas). Em decisão de primeira instância, a ex-parlamentar foi declarada inelegível pelo prazo de oito anos, o que a afasta de qualquer disputa eleitoral até 2032. A condenação, fruto de uma ação do Ministério Público Eleitoral (MPE), aponta para crimes de abuso de poder econômico e compra de votos durante o pleito municipal de 2024.

Além da inelegibilidade, a sentença impõe uma multa de R$ 53 mil e a cassação imediata do diploma de quarta suplente de vereadora. Um detalhe processual chamou a atenção: Juliana foi condenada à revelia, ou seja, perdeu o prazo legal para apresentar sua defesa à Justiça.

O “QG” da Compra de Votos

As investigações que embasaram a condenação revelaram um esquema estruturado para cooptar eleitores na capital roraimense. Segundo o MPE, os votos eram negociados por valores que oscilavam entre R$ 50 e R$ 200.

A prova material mais contundente foi colhida pela Polícia Federal ainda na véspera da eleição, quando agentes apreenderam R$ 66,2 mil em espécie, além de listas extensas com nomes de eleitores e farto material de campanha. O marido da ex-vereadora também foi atingido pela decisão, sendo identificado como um dos coordenadores logísticos do esquema.

Próximos Passos

Embora a decisão seja de primeira instância, os efeitos políticos são imediatos no tabuleiro de Boa Vista. Em nota, a defesa de Juliana Garcia informou que a condenação não é definitiva e que já prepara os recursos cabíveis para tentar reverter a sentença nas instâncias superiores. Até lá, a ex-vereadora permanece impedida de exercer funções públicas.

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