Em um movimento que recalibra o termômetro político da capital, o apóstolo Renê Terra Nova, líder da Igreja da Restauração, transformou o culto desta semana em um palco de forte endosso ao governador Wilson Lima. O gesto, carregado de simbolismo e pautado pelo tema da “Honra”, ocorre em um momento de articulações estratégicas.
Acompanhado de Marcel Alexandre, ex-secretário de Governo, Wilson Lima foi recebido com honrarias no altar da Restauração. Terra Nova não poupou adjetivos ao governador, classificando-o como detentor de um “coração lindo” e blindando-o contra ataques adversários.
“Precisamos honrar aqueles que servem. Wilson tem um coração que muitos não enxergam, e as críticas que fazem ao seu governo muitas vezes ignoram o esforço de quem quer o bem do povo”, afirmou o apóstolo.
A aproximação chama atenção pelo histórico recente de bastidores. Até pouco tempo, o nome de Renê Terra Nova era ventilado como o possível vice na chapa de Maria do Carmo Seffair, oponente direta de Wilson Lima. Embora o convite nunca tenha sido confirmado, o “flerte” com o grupo de Seffair movimentou os bastidores. O evento desta semana, porém, parece enterrar essa possibilidade, selando a paz com o Palácio da Compensa.
O peso do voto evangélico no Amazonas
O cenário na Restauração não é isolado, mas parte de uma tradição consolidada no estado: o púlpito como validador de lideranças.
Recentemente, vimos o senador Omar Aziz ser aclamado na Assembleia de Deus ao lado de Silas Câmara, outra potência do universo gospel amazonense. David Almeida também tem uma raiz evangélica na Igreja Adventista, na qual sempre teve o apoio.
Outro episódio semelhante aconteceu com Maria do Carmo, que foi recebida com elogios pelo apóstolo Valdomiro Santiago, líder da Igreja Mundial.
Seja na Restauração, Mundial, Adventista ou na Assembleia, o apoio dessas instituições mostra que o caminho para o sucesso eleitoral em Manaus passa, invariavelmente, pelo diálogo com as grandes lideranças religiosas.