A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) consolidou, nesta segunda-feira (4), o que os bastidores já desenhavam: a eleição por unanimidade da chapa composta por Roberto Cidade (União Brasil) e Serafim Corrêa (PSB) para o governo “tampão”. Mais do que o resultado em si — que já era de amplo conhecimento público —, a votação dos 24 deputados serviu como uma demonstração de força incontestável do atual presidente da Casa, evidenciando que, dentro do legislativo, as fronteiras entre situação e oposição foram temporariamente apagadas em favor de sua liderança absoluta.
O fato mais marcante da eleição indireta não foram as propostas, mas o painel de votação. Roberto Cidade conseguiu o que parecia improvável em um ano de eleição direta: unir em torno de si grupos rivais que, do lado de fora da Aleam, travam uma guerra política aberta. A adesão unânime dos 24 parlamentares expõe o poder de articulação de Cidade, que transformou a Casa em um bloco monolítico sob seu comando, isolando qualquer tentativa de dissidência e forçando até seus oponentes mais ferrenhos a caminhar ao seu lado no atual cenário institucional.
O fator Daniel Almeida e o grupo do prefeito
Um dos momentos de maior simbolismo político foi o voto do deputado Daniel Almeida. Irmão e principal aliado do ex-prefeito David Almeida, Daniel compõe a linha de frente do grupo que hoje é o principal antagonista ao projeto de Roberto Cidade e Wilson Lima.
Mesmo com David Almeida projetado como candidato ao governo nas eleições diretas de outubro, Daniel votou em Cidade. O movimento indica que, embora a disputa majoritária nas ruas seja de confronto, dentro da Aleam, o “poder de fogo” de Roberto Cidade é tão consolidado que não resta espaço para gestos de oposição que não terminem em isolamento político.
PL e a liberdade estratégica de Maria do Carmo
A bancada do Partido Liberal (PL), fiel à Professora Maria do Carmo (outra candidata ao governo no pleito direto), também fechou questão com Cidade. Ao declarar que deixaria seus deputados “livres” para escolher, Maria do Carmo adotou uma postura pragmática. Na prática, a liberdade concedida foi o reconhecimento de que Roberto Cidade detém as chaves da governabilidade na Casa, e qualquer voto contrário seria apenas um desgaste desnecessário para sua legenda em um governo de transição.
A polêmica do PT e a questão jurídica
O voto de Sinésio Campos (PT) também carregou tensão. O petista votou na chapa vencedora mesmo após o registro da polêmica Chapa 5, composta integralmente por membros do seu partido (Daniel Araújo e Dayane Araújo).
A tentativa de impugnação dessa chapa petista pela própria Mesa Diretora — sob o argumento de que dois membros do mesmo partido feriam o edital — chegou a gerar ruído. No entanto, o pedido foi anulado pela Aleam, que entendeu que as candidaturas estavam dentro das exigências. O fato de Sinésio Campos ignorar a chapa do próprio partido para votar em Roberto Cidade e Serafim Corrêa é o selo final que comprova a hegemonia de Cidade: nem a fidelidade partidária ao PT foi capaz de romper o bloco de apoio construído pelo presidente.
Conclusão: Um armistício no legislativo
A vitória de Roberto Cidade com 100% dos votos dos colegas parlamentares é o atestado de que ele governa a Aleam com “mão de ferro” e habilidade diplomática. Se nas eleições diretas o povo terá opções distintas, no colegiado de deputados a escolha foi única. Cidade sai dessa eleição indireta não apenas como governador tampão, mas como o maior player político da atualidade no estado, tendo neutralizado as resistências de seus futuros adversários dentro do próprio território deles