Ex-secretário da SSP-AM aponta impactos no combate ao crime organizado após EUA classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

Medida entrou em vigor na última quinta-feira (5) e amplia mecanismos para bloqueio de recursos e sanções contra integrantes e apoiadores das facções
Redação O Poder
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Os Estados Unidos oficializaram, na última sexta-feira (5), a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A medida foi anunciada pelo governo norte-americano no fim de maio e passou a vigorar após publicação oficial pelo Departamento de Estado.

Com a decisão, as duas facções passam a ser alvo de instrumentos mais rígidos de monitoramento e bloqueio financeiro, permitindo que autoridades norte-americanas ampliem sanções contra integrantes, colaboradores e estruturas utilizadas para movimentação de recursos ligados às organizações criminosas.

Para o Poder, o ex-secretário de Segurança Pública do Amazonas e pré-candidato a deputado estadual, Vinicius Almeida, afirmou que o principal efeito da medida deverá ocorrer no campo financeiro.

Segundo ele, embora a legislação brasileira possua uma definição específica para terrorismo, baseada em motivações políticas, ideológicas ou religiosas, outros países adotam conceitos mais amplos relacionados à imposição do medo e ao controle exercido por grupos armados sobre determinados territórios.

“Quando eles fazem essa decisão, o que isso vai acarretar do ponto de vista prático? Eles vão começar a perseguir o dinheiro, que é o que o Brasil deveria ter feito lá atrás e nunca fez”, afirmou.

Almeida avalia que a classificação adotada pelos Estados Unidos poderá ampliar o rastreamento de recursos oriundos do narcotráfico e da lavagem de dinheiro, atingindo empresas, operadores financeiros e pessoas utilizadas para movimentar valores das facções.

“O financeiro não banca apenas o crime. Ele banca infiltração na política, no Poder Judiciário e no Poder Executivo. Quando você vai atrás do dinheiro, você começa a desmobilizar a organização criminosa”, declarou.

Ao comentar os possíveis reflexos para o Amazonas, o ex-secretário destacou a posição estratégica do estado nas rotas do tráfico internacional de drogas e a presença histórica de organizações criminosas na região.

“Eles acabam também aqui na nossa região, no Amazonas, levando o terror quando descem os rios com lanchas blindadas, armamentos .50 e fuzis. Penso que sim, nós teremos resultados, mas não a curto prazo”, disse.

Na avaliação de Almeida, os efeitos da medida devem surgir a médio e longo prazo, especialmente se houver cooperação entre órgãos de inteligência e instituições financeiras de diferentes países.

“Se nós não quisermos cooperar, eles irão fazer da mesma forma. A questão é que o crime organizado hoje não respeita fronteiras, e o combate também precisa ser internacional”, concluiu.

A decisão do governo norte-americano ocorre em meio ao aumento da preocupação internacional com a atuação transnacional de facções brasileiras, que vêm expandindo suas operações para países da América do Sul, Europa e América do Norte, especialmente em atividades ligadas ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro.

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