A nova pesquisa eleitoral divulgada pelo Instituto Iveritas em parceria com o site Imediato para a corrida ao Governo do Amazonas em 2026 mostra um cenário de forte indefinição entre os eleitores e uma disputa sem liderança consolidada entre os principais pré-candidatos.
Levantamento aponta o senador Omar Aziz (PSD) na liderança da pesquisa estimulada, com 26,45% das intenções de voto. Em seguida aparecem Maria do Carmo Seffair (PL), com 21,82%, o ex-prefeito de Manaus David Almeida (Avante), com 19,81%, e o governador tampão do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), com 16,07%.
Apesar da vantagem numérica de Omar, a leitura política dos dados aponta para uma eleição ainda completamente aberta. A diferença entre o primeiro e o quarto colocado é de pouco mais de dez pontos percentuais, enquanto o percentual de eleitores que afirmam não saber em quem votar ou pretendem votar em branco ou nulo ainda supera 15% no cenário estimulado.
Espontânea mostra que a eleição ainda não começou para a maioria dos eleitores
O dado mais relevante da pesquisa está no cenário espontâneo, quando os entrevistados precisam responder em quem pretendem votar sem receber uma lista de candidatos.
Nesse recorte, 70,93% dos eleitores afirmaram não saber em quem votar. Maria do Carmo com 8,54%, Omar Aziz aparece com 8,48%, David Almeida com 6,70% e Roberto Cidade com 4,35%.
Esse percentual demonstra que a disputa pelo Governo ainda não entrou efetivamente no cotidiano da população. O número também indica que existe um enorme espaço para crescimento dos pré-candidatos durante o período oficial da campanha.
A situação é ainda mais significativa porque as convenções partidárias ainda não ocorreram e as candidaturas não foram oficializadas. Historicamente, é após a definição dos candidatos, dos vices e das alianças que o eleitorado começa a consolidar suas escolhas.
Omar lidera, mas ainda distante de um favoritismo
Embora apareça na primeira colocação, Omar Aziz ainda está longe de um cenário confortável. Seu percentual representa pouco mais de um quarto das intenções de voto e não configura uma liderança capaz de afastar os concorrentes da disputa.
Além disso, a margem de erro de três pontos percentuais reduz a distância efetiva para Maria do Carmo, que aparece na segunda colocação. Na prática, o levantamento mostra Omar liderando a corrida, mas sem a condição de favorito absoluto.
Maria do Carmo consolida espaço da direita
A empresária Maria do Carmo surge como uma das principais novidades da disputa estadual.
Com 21,82%, ela aparece numericamente próxima do líder e demonstra capacidade de reunir o eleitorado ligado ao campo conservador. O resultado também mostra que a polarização nacional pode ter reflexos diretos na eleição amazonense.
David tenta transferir força da Prefeitura para o Estado
Mesmo fora da Prefeitura de Manaus, David Almeida aparece em terceiro lugar, mantendo-se dentro da faixa de competitividade para uma eventual disputa estadual.
No entanto, a pesquisa mostra um obstáculo importante para sua caminhada eleitoral: a rejeição de 28,24%, a maior entre todos os pré-candidatos testados.
Em eleições majoritárias, índices elevados de rejeição costumam representar um desafio tão relevante quanto a intenção de voto, especialmente em cenários de segundo turno.
Roberto Cidade é o menos rejeitado
O governador Roberto Cidade, apesar de não confirmar pré-candidatura, aparece na quarta colocação, mas com um dos indicadores mais positivos da pesquisa. Sua rejeição é de apenas 9,32%, a menor entre os principais concorrentes.
Politicamente, esse dado sugere maior potencial de crescimento ao longo da campanha, sobretudo porque candidatos com menor rejeição costumam ter mais facilidade para conquistar eleitores indecisos quando a disputa se intensifica.
Cenário aponta eleição mais imprevisível dos últimos anos
A combinação entre liderança sem folga, elevado número de indecisos, candidaturas ainda não oficializadas e ausência de um nome com ampla vantagem sugere que o Amazonas pode viver uma das disputas mais imprevisíveis para o Governo do Estado nos últimos ciclos eleitorais.
Faltando poucos meses para as convenções e para o início efetivo da campanha, a principal conclusão da pesquisa é que o eleitor amazonense ainda está em fase de observação. E, diante dos números apresentados, nenhum grupo político pode afirmar neste momento que possui a eleição sob controle.
Como foi feita a pesquisa
O levantamento foi realizado pelo Instituto Iveritas entre os dias 2 e 10 de junho de 2026 e ouviu presencialmente 1.792 eleitores em Manaus, Iranduba, Manacapuru, Itacoatiara, Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva, municípios que concentram aproximadamente 59% do eleitorado do Amazonas. A pesquisa possui margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.
Perfil dos entrevistados
A amostra foi composta por 50,33% de mulheres e 49,67% de homens. A maior parcela dos entrevistados tem entre 20 e 39 anos (44,31%), seguida pelos eleitores de 40 a 59 anos (35,49%). Jovens de 16 a 19 anos representam 5,30% da amostra e pessoas com 60 anos ou mais correspondem a 14,90%.
Em relação à renda familiar, 46,76% dos entrevistados vivem com até um salário mínimo, 32,37% recebem até dois salários mínimos, 15,40% possuem renda de até cinco salários mínimos e 5,47% declararam renda superior a esse valor.
No quesito escolaridade, predominam eleitores com ensino superior completo (56,19%), seguidos por aqueles com ensino médio incompleto (26,73%) e ensino superior incompleto (17,08%).
O que os números indicam
O perfil da pesquisa mostra um eleitorado majoritariamente adulto, urbano e de renda mais baixa, refletindo características importantes do Amazonas. A forte presença de eleitores entre 20 e 59 anos e das faixas de renda de até dois salários mínimos sugere que temas como emprego, custo de vida, saúde, segurança pública e infraestrutura tendem a ocupar papel central no debate eleitoral de 2026.
A elevada taxa de indecisos observada na disputa pelo Governo do Estado indica que esse eleitorado ainda está em processo de formação de opinião e pode ser fortemente influenciado pelo início oficial da campanha.