Shádia Fraxe mantém promessa de zerar fila do Sisreg e defende ‘Corujão da Saúde’ no Amazonas

Em entrevista ao O Poder, candidata a vice na chapa de David Almeida falou sobre propostas para a saúde, regionalização do atendimento, relação com o candidato e participação das mulheres na política
Redação O Poder
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A candidata a vice-governadora do Amazonas na chapa de David Almeida, Shádia Fraxe, afirmou que mantém a proposta de zerar a fila do Sistema de Regulação (Sisreg) caso a chapa seja eleita. Em entrevista ao O Poder, a médica apresentou medidas previstas no plano de governo para ampliar o atendimento na capital e no interior do Estado.

Entre as propostas citadas estão a criação do “Corujão da Saúde”, com funcionamento 24 horas, a contratação de hospitais particulares para atender parte da demanda por procedimentos e exames e a realização de concurso público para ampliar as equipes.

“Nós vamos zerar, sim. E, para isso, a gente precisa pensar em propostas factíveis, como, por exemplo, o que tem no nosso plano de governo, o Corujão da Saúde, que vai funcionar 24 horas”, afirmou.

Shádia também defendeu mudanças na transparência do Sisreg. Segundo ela, os pacientes precisam ter acesso à posição que ocupam na fila e a uma previsão de atendimento.

“É necessário mostrar para as pessoas o lugar dela na fila, dar um prazo de quando ela vai ser atendida. Ela precisa ter esse acompanhamento para a gente garantir que não vão tomar a vez dela”, declarou.

Nove polos no interior

Ex-secretária municipal de Saúde de Manaus, Shádia afirmou que uma das estratégias para ampliar o atendimento no Amazonas será fortalecer a atenção primária e regionalizar os serviços de saúde.

De acordo com a candidata, o plano da chapa prevê nove polos no interior do Estado, com hospitais estruturados para atender a população de diferentes regiões.

Shádia também defendeu a realização de concursos públicos e a adoção de políticas voltadas à permanência de médicos nos municípios.

“O nosso Amazonas é muito grande. Mas é expandir, equipar, estruturar, não só com equipamentos, porque ninguém faz saúde com equipamentos. A gente faz com equipamentos, mas faz com pessoas”, disse.

Ao falar sobre sua passagem pela Secretaria Municipal de Saúde, Shádia afirmou que Manaus passou de 47% para 92% de cobertura da atenção básica durante o período citado por ela. A candidata também declarou que 13 novas unidades foram construídas durante a gestão, direcionadas principalmente para áreas que classificou como vazios assistenciais.

Parceria com David

Questionada sobre qual seria sua autonomia como vice-governadora e como pretende dividir as atribuições com David Almeida, Shádia destacou a relação construída entre os dois quando esteve à frente da Secretaria Municipal de Saúde.

Segundo a candidata, a parceria se fortaleceu durante a pandemia de Covid-19, período em que David comandava a Prefeitura de Manaus.

“A nossa gestão começou com uma única secretaria que podia estar aberta, que era a minha, a Secretaria de Saúde. E o David nunca se acovardou. Por não ser da saúde, ele poderia ter ficado em casa”, afirmou.

Shádia disse ainda que a disposição do então prefeito em considerar as decisões técnicas contribuiu para aproximá-los.

“O fato de ele ouvir a área técnica foi o principal fator para que a secretaria tivesse bons resultados”, declarou.

Zona Franca e geração de emprego

Apesar de colocar a saúde como uma de suas principais bandeiras, Shádia afirmou que outras áreas da administração pública têm impacto direto sobre a qualidade de vida da população.

Ao abordar a economia, a candidata relacionou geração de emprego e saúde e defendeu a atração de indústrias farmacêuticas para a Zona Franca de Manaus.

“Nós vivemos aqui na maior biodiversidade, onde tantas pessoas vêm pegar matéria-prima da nossa floresta para fazer medicamentos, cosméticos, e nós aqui, amazonenses, não aproveitamos de uma forma mais efetiva essa situação”, disse.

Para Shádia, ampliar a presença desse segmento no Polo Industrial poderia associar geração de emprego, desenvolvimento econômico e aproveitamento sustentável da biodiversidade amazônica.

Mulheres na política

A candidata também comentou o aumento da participação feminina nas chapas que disputam as eleições deste ano e defendeu maior presença de mulheres nos espaços de decisão.

Shádia ponderou, no entanto, que a participação feminina precisa estar acompanhada de experiência e conhecimento técnico.

“O símbolo da mulher não pode ser um símbolo vazio. Ela precisa ter conhecimento, fundamento técnico, ela precisa ter vivência no que ela faz, ela precisa acreditar no que ela luta”, afirmou.

Segundo a candidata, a presença de mais mulheres na política também pode incentivar outras a ocuparem espaços de poder.

“O fato de ter mais mulheres na política serve muito para abrir portas para outras mulheres terem a coragem de ocupar cada vez mais lugares de decisão, com técnica, com profissionalismo”, concluiu.

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