Manaus | AM
A casa e o gabinete do vice-governador do Amazonas, Carlos Almeida, estão sendo alvo de operação da Polícia Federal (PF), na manhã desta quinta-feira (8).
A ação é um desdobramento da operação ‘Sangria’, que apura possíveis irregularidades na compra de insumos de combate ao novo coronavírus (Covid-19).
A residência de Carlos Almeida, no bairro Ponta Negra, zona oeste de Manaus, foi minuciosamente vistoriada. Além disso, o celular do vice-governador foi apreendido.
Investigação
De acordo com nota emitida pela Polícia Federal, a operação desta quinta teve apoio do Ministério Público Federal e da Controladoria-Geral da União. A ‘Sangria’ investiga fatos relacionados a possíveis práticas de crimes, como pertencimento a organização criminosa, fraude à licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro.
Ao todo, a operação visa a cumprir 14 mandados judiciais expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), dos quais nove são de busca e apreensão e cinco de prisão temporária, todos cumpridos em Manaus.
Dentre os presos temporariamente estão o ex-secretário de Saúde do Estado, Rodrigo Tobias; Carlos Avelino Júnior, empresário e marido da ex-secretária de Comunicação do Estado, Daniela Asssayag; o empresário Gutemberg Alencar; a ex-secretária-executiva de Saúde, Dayana Mejia e Ronald Gonçalo Caldas Santos.
https://opoder.ncnews.com.br/destaque/cinco-sao-presos-temporariamente-durante-operacao-da-pf-nesta-quinta/
Fases
Na primeira fase da operação, verificou-se que uma empresa comercializadora de vinhos, utilizando-se de empréstimo de dinheiro, adquiriu de uma empresa local os respiradores pulmonares. Em seguida, revendeu-os ao Estado do Amazonas com preço superfaturado. Já o dinheiro recebido pelo governo do Amazonas foi remetido ao exterior, para uma empresa aparentemente de fachada.
A partir dos elementos de prova, após o cumprimento dos mandados judiciais na primeira fase, identificou-se que mais funcionários do alto escalão da Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam) também participaram do processo de contratação fraudulenta para favorecer grupo de empresários locais, sob orientação da cúpula do governo do Estado.
Há indícios de que a aquisição destes respiradores pulmonares seria apenas o início de outros esquemas de compra de equipamentos que seriam realizados durante a pandemia do Covid-19, na medida em que, na primeira fase ostensiva, foram apreendidas consideráveis propostas de preços de respiradores pulmonares de diferentes empresas na posse de apenas um empresário, sem razões aparentes.
Observou-se, ainda, a participação efetiva de sócio oculto ligado a uma empresa investigada, o qual, com o lucro obtido de maneira fraudulenta, investiu na aquisição dos testes rápidos para Covid-19, com a finalidade de revender ao Estado do Amazonas e aumentar o proveito da vantagem obtida de maneira ilícita.
Nota
*Matéria atualizada às 8h50 para acréscimo de informações



