O deputado estadual e candidato à reeleição Marcinho Belota (PL) publicou um vídeo nas redes sociais neste sábado (3) para reclamar da ação da Polícia Federal realizada na residência dele, em Boa Vista, na noite de sexta-feira (2). Na gravação, o candidato aparece segurando uma gata morta e afirma que o animal morreu após, segundo seu relato, portas da casa terem sido deixadas abertas durante o cumprimento do mandado.
Belota afirmou que estava em Caracaraí quando recebeu a informação sobre a operação e disse ter pedido aos agentes que tivessem cuidado com os animais. Segundo o candidato, os bichos da residência ficam separados e uma das cachorras teria tido acesso à gata depois que portas foram deixadas abertas.
“Vocês têm noção que deixaram a porta aberta e minha cachorra matou nossa gata? Eu tenho todo o cuidado de separar todos e eles simplesmente deixaram todas as portas abertas”, escreveu o candidato nas redes sociais.
Em outro vídeo, Belota voltou a questionar a forma como a ação foi realizada. Ele afirmou respeitar o trabalho da Polícia Federal, mas pediu mais cautela durante o cumprimento de operações em locais onde há animais.
O candidato também relatou que, segundo testemunhas, os agentes teriam mencionado a possibilidade de atirar nos animais caso fosse necessário. A afirmação é atribuída a Belota e não foi confirmada publicamente pela Polícia Federal.
Dinheiro e anotações apreendidos
Durante a manifestação, Belota também falou sobre os materiais recolhidos na residência.
Segundo ele, foram apreendidos R$ 6.360 em espécie, sendo a maior parte das cédulas de R$ 5, R$ 10 e R$ 20. O candidato afirmou que o dinheiro seria proveniente do caixa de um café mantido por ele e utilizado como troco.
Belota disse ainda que os agentes levaram um caderno com anotações de 2022. De acordo com o candidato, o material reúne registros de reuniões daquele período e não teria relação com irregularidades eleitorais.
A Polícia Federal, por outro lado, informou no contexto da operação que a busca tinha como objetivo preservar elementos de prova e aprofundar as investigações. Na residência do parlamentar também foram apreendidos um notebook e documentos.
Busca ocorreu durante investigação eleitoral
A ação contra Belota ocorreu como desdobramento de uma investigação sobre suspeita de compra de votos que levou à prisão em flagrante de 22 pessoas em Boa Vista.
Segundo a investigação divulgada pela imprensa, os envolvidos são suspeitos de participar de um esquema no qual eleitores receberiam R$ 400, sendo R$ 200 relacionados ao voto para deputado estadual e outros R$ 200 para deputado federal. A apuração cita as candidaturas de Marcinho Belota e Daniel Pedreiro da Trindade (PL).
Ainda segundo os investigadores, dois homens teriam atuado na abordagem dos eleitores, no transporte e na distribuição dos valores. Um deles teria relatado ter recebido aproximadamente R$ 19 mil para realizar os repasses.
Marcinho Belota foi alvo de busca e apreensão, mas não foi preso. A investigação continua para esclarecer a origem dos recursos, a dinâmica dos pagamentos e eventual participação de outras pessoas.
Até a publicação desta matéria, a Polícia Federal não havia se manifestado publicamente sobre a alegação de que a gata teria morrido durante o cumprimento da busca.