A crise de queimadas e fumaça que atinge o Amazonas voltou a provocar críticas à atuação do governo federal. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM) cobrou medidas mais efetivas para combater os incêndios na região e responsabilizou a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo que considera demora na adoção de ações preventivas.
“Discurso bonito não apaga incêndio, e música não vai limpar o nosso ar”, afirmou o parlamentar, ao defender uma resposta que combine estrutura para o combate direto ao fogo, prevenção e assistência às populações que vivem em áreas rurais e isoladas da Amazônia.
Aeronaves de grande porte
Um dos principais pontos levantados por Alberto Neto é a capacidade operacional das aeronaves utilizadas no combate aos incêndios. Segundo o deputado, com exceção do KC-390, os aviões enviados para a operação seriam de pequeno porte e dependeriam de condições visuais para decolar, o que, na avaliação dele, limita a atuação quando a fumaça reduz a visibilidade.
O parlamentar defendeu a aquisição de aeronaves anfíbias de grande porte, capazes de pousar em rios, captar água e realizar sucessivas operações para combater focos de incêndio em regiões de difícil acesso.
“A região amazônica é de grandes proporções, são dimensões continentais. A gente precisa dessas aeronaves de grande porte, para que pousem de maneira rápida nos nossos rios, coletem água e apaguem os nossos incêndios”, declarou.
A proposta, segundo ele, busca ampliar a capacidade de resposta em áreas onde o deslocamento de equipes terrestres é mais difícil. A avaliação sobre a eficiência dos equipamentos atualmente empregados, no entanto, foi apresentada pelo próprio deputado e não constitui, por si só, uma comprovação técnica do desempenho de toda a frota mobilizada.
Prevenção e reforço das brigadas
Além da estrutura aérea, Alberto Neto cobrou investimentos em monitoramento por satélite e ampliação das brigadas municipais. Para o deputado, a atuação do poder público precisa ocorrer antes que os focos se transformem em incêndios de grandes proporções.
Ele também relacionou a gravidade da situação às condições climáticas e ao prolongamento da estiagem. Na avaliação do parlamentar, períodos de seca intensa aumentam os riscos associados ao uso do fogo, inclusive quando a queimada é iniciada com a intenção de controlar a vegetação.
O deputado afirmou que o governo federal precisa cumprir os compromissos de prevenção e ampliar a capacidade dos municípios de responder rapidamente às ocorrências.
Apoio a produtores rurais e comunidades tradicionais
Outro eixo da manifestação foi a necessidade de oferecer melhores condições a quem vive e trabalha em áreas rurais da Amazônia. Alberto Neto citou comunidades indígenas, quilombolas, famílias de assentamentos e produtores rurais e defendeu medidas como regularização fundiária, acesso ao crédito rural, aquisição de maquinário e uso de tecnologia na produção.
Para o parlamentar, a ausência de assistência e de alternativas adequadas pode agravar a vulnerabilidade de quem depende da terra para sobreviver. Ele argumentou que a política ambiental precisa combinar fiscalização com apoio técnico e econômico às populações locais.
“É o nosso povo, é a nossa gente, é quilombola, é terra indígena, são assentamentos. Eles precisam ser vistos”, afirmou.
O deputado também criticou o que classificou como uma atuação concentrada na punição, sem suporte suficiente às comunidades. Na visão dele, a prevenção passa por oferecer condições para que os produtores adotem práticas mais seguras e reduzam a dependência do uso do fogo.
Cobrança ao governo federal
Ao longo do vídeo, Alberto Neto atribuiu ao governo Lula responsabilidade pela demora em medidas que, segundo ele, deveriam ter sido implementadas para prevenir e combater os incêndios. O parlamentar encerrou a manifestação cobrando mais planejamento, equipamentos adequados e ações permanentes na região.
A crise da fumaça tem impacto direto na rotina da população, sobretudo pelos efeitos sobre a qualidade do ar e os riscos à saúde. Diante desse cenário, a discussão sobre prevenção, estrutura de combate e assistência às comunidades permanece central para a resposta aos incêndios no Amazonas.
As críticas e propostas apresentadas no vídeo refletem a posição do deputado. A avaliação sobre a atuação federal e a eficiência dos recursos mobilizados depende também de dados operacionais, informações oficiais e resultados das ações de combate aos incêndios.