Manaus | AM
Nos últimos dias, o prefeito de Manaus, Artur Neto, alardeou que os números sobre a pandemia do novo coronavírus são manipulados, inclusive os relacionados à morte de indígenas, fornecidos pelo Governo Federal, e que a quantidade de enterros aumentou. Mas o discurso, nas vésperas da eleição municipal, é desmentido pelos registros dos cartórios civis e por dados da própria prefeitura.
Segundo a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), órgão que administra os cemitérios públicos da capital do Amazonas, foram contabilizados 867 sepultamentos e cremações em julho, 828 em agosto e 868 em setembro, números que se referem, na maioria absoluta, em mais de 90%, a óbitos causados por outras doenças.
Antes da pandemia, em janeiro, o número de sepultamentos, segundo a secretaria municipal, chegou a 905, 4% acima do que foi registrado no mês passado, em Manaus. No pico da pandemia, nos meses de abril, maio e junho, os enterros e cremações, de pessoas que morreram por Covid-19 e outras doenças, chegaram a 2.433, 1.899 e 912, respectivamente.
Síndromes respiratórias
No Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil de Manaus, a média de mortes por síndromes respiratórias caiu de quase dez por dia (9,9), em setembro, para seis em outubro. A realidade desmente o prefeito, que afirmou, em veículos de notícias locais e nacionais, que os sepultamentos diários por Covid-19 haviam passado de 20 para cerca de 50 por dia.
Em coletiva na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas. (FCecon), o governador do Amazonas, Wilson Lima, classificou as declarações de Arthur como levianas, destacando que o governo está entre os primeiros do País em transparência na divulgação dos dados sobre a pandemia, com detalhamento de casos por município. E acrescentou que o Estado continuará orientando o combate à Covid-19 no trabalho dos profissionais de saúde.
Para conter um novo avanço da doença, o governador assinou o Decreto Nº 42.794, de 24 de setembro, com novas medidas complementares para enfrentamento à Covid-19 no Estado. Pelo documento, ficam suspensos, até o próximo dia 26, o acesso às áreas de praias para recreação; o funcionamento de balneários e flutuantes; além do funcionamento de bares, mesmo que na modalidade restaurante.
Fechamento
Após 71 de atividades e em plena pandemia, Arthur Neto fechou o hospital de campanha municipal e foi amplamente criticado nas redes sociais. Conforme matéria do site ‘IMEDIATO’, na oportunidade, o prefeito continuou defendendo o isolamento social, mas suspendeu os atendimentos específicos à Covid-19.
No Twitter, o assunto rendeu. “Voltar com o hospital de campanha municipal nada também né, chefia?”, um dos internautas comentou. Também, naquele momento, o Grupo Samel, até então parceiro da prefeitura, ressaltou que em nenhum momento concordou com o fechamento do hospital.
Confira abaixo os números de sepultamentos na capital:
Sistema Público
Janeiro – 905 sepultamentos
Fevereiro – 792 sepultamentos
Março – 888 sepultamentos
Abril – 2.433 sepultamentos e cremações
Maio – 1.899 sepultamentos e cremações
Junho – 912 sepultamentos e cremações
Julho – 867 sepultamentos e cremações
Agosto – 828 sepultamentos e cremações
Setembro – 868 sepultamentos e cremações
Sistema Privado
Abril – 374 sepultamentos
Maio – 460 sepultamentos
Junho – 188 sepultamentos
Julho – 141 sepultamentos
Agosto – 156 sepultamentos
Setembro – 188 sepultamentos