Governo Amazonino Mendes, em 2017, concedeu licenças sem estudos para exploração de ouro no Rio Madeira

Governo do Amazonas concedeu licenças para exploração de ouro no Rio Madeira sem estudos de impacto ambiental, gerando repúdio de organizações socioambientais.
Redação O Poder
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Manaus | AM

Durante sua última passagem pelo Governo do Amazonas, entre 2017 e 2018, Amazonino Mendes (sem partido) concedeu Licenças de Operação Ambiental (LOAs), sem qualquer tipo de estudo de impacto ambiental, para que cooperativas explorassem ouro no Rio Madeira, causando, à época, repúdio por organizações socioambientais que atuam na Amazônia, conforme matéria produzida pelo site ‘Amazônia Real’.

Nesta semana, a exploração do ouro na região foi amplamente debatida nacionalmente, inclusive, com recomendação expedida pelo Ministério Público Federal (MPF) pedindo a adoção emergencial de ação coordenada de repressão e desarticulação ao garimpo ilegal de ouro na calha do Rio Madeira e afluentes, no município de Autazes, em atuação integrada de órgãos e autarquias federais e estaduais competentes, no prazo de 30 dias.

https://opoder.ncnews.com.br/executivo/mpf-recomenda-medidas-emergenciais-de-repressao-a-garimpo-no-rio-madeira-no-amazonas/

Na matéria produzida pela jornalista Elaíze Farias, as organizações socioambientais afirmavam que a medida foi tomada “de forma precipitada, imprudente e unilateral pelo governo do Amazonas”. “Acreditamos que conceder ou renovar Licenças de Operação Ambiental de forma precipitada e sem debate para atividades garimpeiras naquela região, considerando seu histórico de impactos socioambientais, é um grande equívoco. Este ato fragiliza ainda mais aspectos como a integridade das florestas do Sul do Amazonas”, diz trecho da nota.

Ainda segundo o texto, “a legalização das atividades de extração mineral e em especial, de ouro no Estado, deve levar em consideração o princípio da precaução, ainda mais quando se trata do uso indiscriminado do mercúrio, com o uso de equipamentos precários e não regulamentados, como dragas e tratores, que afetam de forma bastante negativa os leitos dos rios e sua dinâmica hidrológica”.

Falta de estudo

A matéria aponta, também, que Amazonino Mendes autorizou a liberação da exploração de ouro no rio Madeira sem esperar um estudo do Conselho Estadual de Meio Ambiente do Amazonas (Cemaam) sobre a destinação dos resíduos de mercúrio usado no garimpo. O governo concedeu novas e renovou LOAs à Cooperativa dos Garimpeiros da Amazônia (Coogam) e para a Cooperativa dos Extrativistas Minerais Familiares de Manicoré (Cooemfam). O Cemaam é uma entidade consultiva formada por representantes de órgãos públicos e organizações não-governamentais.

Ainda em 2017, o diretor da WCS Brasil (sigla de Associação Conservação da Vida Silvestre), uma das organizações que assinaram a nota de repúdio contra ato de Amazonino, Carlos Durigan, disse à reportagem que o ideal é “que o governo revogue o processo de licenciamento e realize uma discussão ampla e um debate técnico qualificado e participativo”.

“Não é uma questão que só diz respeito ao governo, às cooperativas, aos garimpeiros, ou aos extrativistas minerais, como chamam. Não é uma discussão bilateral. É uma discussão [sobre garimpo] que envolve toda a sociedade. Não apenas especialistas, mas também as populações afetadas pelo garimpo. Porque a gente tem que partir do pressuposto que é preciso levar o principio da precaução num caso como esse. A atividade é muito impactante e causa danos gerais”, disse.

Na oportunidade, o ‘Amazônia Real’ chegou a procurar a assessoria de comunicação do Governo do Amazonas, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), que concedeu a licença às cooperativas, para saber se os órgãos se manifestariam a respeito da nota de repúdio, mas não obteve resposta.

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