Manaus | AM
Políticos dos partidos de esquerda no Amazonas defendem, para as Eleições de 2022, uma união com o objetivo de derrotar o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), e também contra o ‘bolsonarismo’, no Estado. Para as próximas eleições, uma novidade é a chamada federação partidária, que garante a união de legendas.
O presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) no Amazonas, o ex-deputado federal Eron Bezerra, falou com site O PODER sobre como a esquerda pode construir uma candidatura ao Governo do Amazonas. Para ele, é necessário que a esquerda tenha uma alternativa extremamente viável.
“A opinião nossa, do PCdoB, é que esse candidato tem que ter alguma base eleitoral mínima, capaz de garantir competitividade. Tenho uma visão de que, hoje, se um candidato com boa base eleitoral no campo da esquerda se candidatar, vai ser governador do Amazonas. Já que todos os demais pré-candidatos que aí estão colocados, com alguma base eleitoral, são todos do campo que eu chamo de centro-direita ou até de extrema-direita”, descreveu ele.
Além disso, Eron ressaltou que “têm dois ou três candidatos que se dizem abertamente simpáticos ao Bolsonaro”. “Portanto, em decorrência disso, entendo que é preciso que a esquerda busque uma alternativa eleitoralmente viável para encontrar uma resposta a essa realidade”, comentou.
Ainda de acordo com Eron Bezerra, além do PCdo B, o Partido Socialista Brasileiro (PSB), o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Verde (PV), que no momento já indicaram nacionalmente a intenção de marcharem juntos em uma federação partidária, não têm pré-candidatos no Estado.
“Hoje, a legislação determina que os partidos da federação tenham um único candidato em comum. Dos quatro quadrantes do País, a federação terá um candidato comum ao governo do Estado, do mesmo campo, evidentemente, pode ser de partidos diferentes desse campo, de um canto ao outro, e como vai ter um único candidato a presidente, nós estamos tentando formar frente mais ampla do campo da chamada esquerda popular e progressista”, detalhou Eron.
PSOL
O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) é um dos partidos de esquerda que já tem pré-candidato ao Governo do Amazonas, o advogado Marcelo Amil. Segundo ele, a busca é pela união. “Em 2020, além da minha candidatura para prefeito de Manaus, havia outras duas candidaturas também de esquerda. Seguimos insistindo na unidade para 2022. Mas conscientes que a unidade deve ser em torno de um projeto maior que é derrotar Bolsonaro e derrotar ‘bolsonaristas’ no Amazonas”, declarou o advogado.
Questionado sobre união entre partidos de esquerda, como PCdoB e PSOL, ele respondeu: “A união ela sempre é possível e depende de conversas. O que tenho conversado com os representantes do PSOL é que eles também querem conversar com as outras forças, de outros partidos, e por parte do PSOL, sei que há disposição, mas o que vai ter que ser ponderado são as questões pragmáticas dos demais partidos.”, ressaltou Amil.
Federação
A federação partidária prevê, em linhas gerais, que duas ou mais legendas se unam durante o período eleitoral e mantenham a parceria por no mínimo 4 anos. Com isso, as siglas parceiras passam a ser tratadas como uma só. Precisam, por exemplo, estar juntas na disputa presidencial, em todas as candidaturas estaduais e também nas atuações na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu como prazo até o mês de março para definição de formação de federações partidárias. O PT, PSB, PCdoB e o PV decidiram acionar o TSE para questionar o prazo dado pela Justiça Eleitoral. “É muito exíguo e destoante da realidade política do País”, consideram as siglas. Nesta quarta-feira (26), as legendas devem realizar nova reunião, em Brasília, para avaliar o andamento do processo.