Manaus | AM
A conquista do direito do voto por parte das mulheres completa, nesta quinta-feira (24), 90 anos. Foi neste dia, em 1932, que o Brasil instituiu o voto feminino e a data é, até hoje, considerada um grande marco na luta por igualdade de direitos. Para se ter ideia da importância, o número de eleitoras brasileiras ultrapassa a casa dos 77 milhões, de acordo com o Senado Federal, e o voto dessas mulheres são fundamentais para decidir quem são os próximos presidente da República, governadores, senadores e deputados federais e estaduais.
A ativista feminista e produtora cultural Michelle Andrews afirma que os direitos conquistados pelas mulheres devem ser constantemente defendidos e sobretudo relembrados pela sociedade. “Quando se fala em história temos a tendência a achar que o tempo é uma medida distante. Que algumas coisas ainda estão superadas. Mas não é assim. Tem mulheres vivas hoje que quando nasceram não tinham direito a voto. E que por cerca de 24 anos foram impedidas de votar durante a ditadura militar”, destaca.
Foi ainda no início do Século 20, que a demanda de mulheres pelo direito de votar e de serem eleitas ganhou corpo, isso a partir do movimento sufragista brasileiro. Mas o exercício de direitos políticos só seria estendido às mulheres em 1932, quando o novo código eleitoral do país entrou em vigor, em pleno governo provisório do ex-presidente Getúlio Vargas. Dois anos depois, em 1934, o voto feminino passa a ser previsto pela Constituição.
Para a cientista social, Ana Claudia Bandeira de Melo, votar é ser reconhecida enquanto cidadã, detentora de direitos e enquanto mulheres capazes de definirem os rumos do País. “A participação da mulher enquanto cidadã que vota e escolhe permite que gestoras e parlamentares mulheres possam colocar na pauta política o valor do voto feminino e os anseios deste voto. Assim, mais do que ser uma data simbólica de uma conquista histórica, os 90 anos do voto feminino serve para nos lembrar que cada direito adquirido possui uma estória de lutas, de sofrimentos coletivos e de desigualdades a superar”.

Michelle Andrews – ativista feminista e produtora cultural
Baixa representação feminina
A representação feminina ainda é baixa na política brasileira. Ainda em 2021, na Câmara dos Deputados, das de 513 cadeiras, apenas 77 eram/são ocupadas por deputadas, que corresponde a 15%. “Mulheres hoje têm direito a voto, mas a nossa representação política ainda é baixa. No congresso Nacional são menos de 20% de parlamentares mulheres, sendo que somos mais de 50% do eleitorado”, apontou ainda Michelle Andrews.
“O direito ao voto das mulheres está na base do movimento feminista justamente por que a expressão política é um dos direitos básicos. Precisamos garantir o voto das mulheres, mas também lutar por condições de igualdade em campanhas eleitorais, na direção dos partidos e na garantia de segurança daquelas que são eleitas”, reforçou ela.
A cientista social, Ana Claudia, acrescenta que a baixa representação política reflete desigualdade, por isso, há a busca recorrente por espaços e direitos. “Somos 77 milhões de eleitoras, aproximadamente, um número expressivo que se contrasta com a pequena, desigual, porém marcante presença política das mulheres nas câmaras municipais, estaduais, federais e no senado. Igualmente desigual é a participação política e protagonismo de mulheres nas disputas por cargos majoritários como Governo Estadual, prefeituras e presidência da Republica”, ressaltou ela.
Vale relembrar que conquista do voto feminino também foi impulsionada por várias pioneiras, como a professora Celina Guimarães Viana, que pôde, por meio de um requerimento, votar em 1927 e se tornou a primeira eleitora do país. Outro nome é o de Leolinda de Figueiredo Daltro, uma das fundadoras do Partido Republicano Feminino, criado em 1910.