Manaus | AM
Nesta terça-feira (22), a pré-candidata a deputada federal e líder indígena do povo Witoto, Vanda Ortega (Rede), será uma das participantes da audiência pública que traz o tema: ‘Mulheres Indígenas na Política: Avanços e Conquistas’, na Câmara dos Deputados, em Brasília. O debate foi proposto pela deputada Joenia Wapichana (Rede), primeira mulher indígena a ser eleita para a Câmara.
De acordo com Vanda, durante a audiência pública serão discutidos assuntos como o papel da mulher indígena na política e a necessidade de se incluir todos os povos ancestrais dentro das discussões.
“Fui convidada juntamente com outras mulheres indígenas para apontar os avanços durante os últimos pleitos. Só em 2018 que uma mulher indígena foi eleita deputada na história desse País. Tivemos um avanço pequeno, mas precisamos de mais, até por que este ano se completou 90 anos do voto feminino”, destacou ela.
Além de Vanda, foram convidadas para discutir o assunto a coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Sonia Guajajara; as líderes indígenas do Pará Ô-é Kayapó e Juma Xipaia; a vice-prefeita do município de Normandia (RR), Veralice Lima de Oliveria; e a representante do Núcleo de Inclusão e Diversidade da Secretaria Geral da Presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Samara Pataxó.
“Hoje, mais do que nunca, precisamos estar dentro de um congresso para que as politicas já existente sejam concretizadas na ponta. Amanhã, nosso diálogo trará algumas dessas reflexões e ainda sobre a violência contra as mulheres dentro do cenário político”, destacou.
O debate está marcado para as 10h, em local a ser definido, e poderá ser acompanhado ao vivo por meio do portal e-Democracia.
A deputada Joenia Wapichana afirma que as mulheres indígenas são as principais responsáveis pela proteção e continuidade das culturas e identidades de seus povos, e são, historicamente, os principais alvos das violências empreendidas contra os povos indígenas.
Ela afirma, ainda, que, aos poucos, enfrentando preconceitos culturais e machistas, elas estão cada vez mais ocupando espaços e alçando as vozes nas comunidades, cidades e espaços públicos, unindo-se em prol da superação das desigualdades e da defesa dos direitos dos seus povos e das florestas.
Nos últimos anos, as mulheres indígenas têm ampliado significativamente sua participação em processos eleitorais. De acordo com dados da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), com base nas estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas eleições de 2020 foram eleitos 234 representantes de 71 povos originários, sendo 10 prefeitos, 11 vice-prefeitos e 213 vereadores. Nesse universo, 31 mulheres indígenas foram eleitas, ou seja, 13% do total. Em 2016, foram apenas 15 indígenas eleitas (8%).