MUNDO
Com 94% de inflação acumulada em 2022, a maior em 32 anos, o Banco Central da Argentina (BCRA) aprovou na última quinta-feira (2) a emissão de uma nova cédula no país: a de 2 mil pesos, que será introduzida no mercado entre os meses de junho e julho.
“Enquanto o processo de digitalização de pagamentos avança, esta cédula de maior valor melhorará a operação dos caixas eletrônicos e, ao mesmo tempo, otimizará a transferência de dinheiro”, disse o Banco Central em comunicado.
A nova cédula argentina terá como estampa as imagens dos médicos Cecilia Grierson e Ramón Carrill, pioneiros no desenvolvimento da medicina no país. O outro lado da cédula terá a imagem do edifício do Instituto Nacional de Microbiologia Doutor Carlos Malbrán.

Pressão
Por mais que o governo argentino tenha dado ênfase à natureza comemorativa da nova cédula — “desenvolvimento da ciência e da medicina na Argentina” — a medida na verdade é mais uma política do governo de Alberto Fernández para controlar os efeitos nefastos da maior inflação das últimas três décadas.
A Federação de Comércio e Indústria da cidade de Buenos Aires (Fecoba) já demonstrou “preocupação com a quantidade de cédulas circulando”, ressaltando que o transporte gera gastos e situações de insegurança.
Inflação
A inflação é o fenômeno econômico responsável pelo aumento de preços e pela perda do poder de compra da moeda nacional. Nem sempre a inflação é ruim, quando este indicador está controlado, significa que a economia do país está crescendo de forma saudável, com oferta e demanda seguindo uma tendência de equilíbrio.
Quando a inflação começa a subir descontroladamente e em curtos períodos de tempo, os consumidores começam a perder seu poder de compra, e por consequência, os seus salários não conseguem acompanhar o aumento dos preços dos produtos, afetando diretamente o bem estar social, a dignidade das famílias, a geração de empregos, e gerando em graus extremos vulnerabilidade social e fome.
Em dezembro, o governo Alberto Fernández lançou o “Preços Justos”, como mais uma tentativa de segurar os efeitos do aumento de preços causados pela inflação. O programa é um acordo com as empresas de alimentação e higiene com objetivo de congelar os preços de mais de 2 mil itens do setor.
Uma série de economistas e analistas econômicos afirmam que a medida é uma falsa solução e termina por agravar mais ainda os efeitos da inflação, causando a falta dos produtos nas prateleiras dos supermercados.
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