PAÍS
A divulgação das imagens do então ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Gonçalves Dias, em meio aos invasores do Palácio do Planalto no 8 de janeiro causou reviravolta no Congresso Nacional e fez o número de assinaturas pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) aumentar consideravelmente. Desde que os vídeos vieram à tona, no último dia 19, mais de 20 deputados federais aderiram ao requerimento.
De acordo com o autor do pedido no parlamento federal, o deputado oposicionista André Fernandes (PL-CE), a CPMI já alcançou apoio de pelo menos 218 deputados e 37 senadores após a crise no GSI. Antes da divulgação das imagens, eram 194 deputados; o número de senadores não teve sofreu alteração.
A instalação da CPMI do 8 de janeiro é inevitável. Estamos nesse momento contando com a assinatura de 218 deputados federais e 37 senadores.
A mudança do discurso da base do Lula não nos impõe medo! Vamos pra investigação e não cederemos a presidência e relatoria da comissão.
— André Fernandes (@andrefernm) April 20, 2023
Para que a CPMI seja instalada pelo presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o mínimo de assinaturas necessário é de 171 deputados e 27 senadores. A sessão de leitura do pedido de abertura da comissão está prevista para acontecer nesta quarta-feira (26), depois de ser adiada por duas vezes.
Mudança de rota
A divulgação das imagens pela CNN Brasil, que mostram a ação do GSI naquele 8 de janeiro, fizeram o governo Lula mudar o curso da rota em relação ao tema. Antes, a base governista articulava a retirada de assinaturas do papel, a fim de evitar a instalação das investigações no Congresso.
Diante da onda de assinaturas, o governo mudou a posição e vai apoiar a CPMI. O anúncio foi feito, no último dia 20, pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), um dos líderes do presidente no parlamento.
Sendo inevitável frear a abertura das investigações, o governo Lula agora tenta ter o controle da comissão e emplacar um presidente e um relator da base aliada.
Foto: Wallace Martins/Futura Press/Estadão Conteúdo