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O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, em entrevista à Folha de S.Paulo, declara que “o governo como um todo está meio medroso” depois dos atos do 8 de janeiro. O diretor do MST diz que o governo Lula “está muito lento” na pauta social, promete aumentar a pressão e diz não temer a CPI do MST, que está em vias de ser instalada.
Questionado sobre as críticas às recentes ocupações de terras feitas pelo MST, que foram reprovadas até por integrantes do primeiro escalão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Stédile afirmou que “certos agentes públicos se encagaçaram com a luta social”. Ainda segundo ele, o governo federal está “lento” e o MST, mesmo defendendo a gestão do presidente Lula (PT), aumentará a “pressão social”.
Na entrevista, Stédile critica os governos Lula e Dilma Rousseff por não compreenderem “a natureza da agricultura brasileira”. “Até porque eram militantes da esquerda urbana, vamos dizer assim. Podem ter sido mal assessorados pelos intelectuais que entendiam do assunto. Espero que nesse governo eles consigam compreender o que está em jogo”, disse. Ele também afirmou que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), “também está entre os ruralistas, e [tem os mesmos] interesses deles de peitar o governo, de fazer com que libere mais verbas, emendas. Esse é o jogo que ele faz. Nós somos só uma peça aí que ele usa, de acordo com os interesses dele”.
Para o dirigente, “a CPI está [inserida] muito mais num cenário de luta ideológica da extrema direita, que tenta inibir as ações do movimento que não envolvem o Legislativo ou a direção nacional do MST. “Elas (ações) são decididas pela nossa base, diante das necessidades (…) de consequência real ela não terá nada, porque nós não cometemos crime nenhum, não há fato [para ser investigado]”.
Segundo ele, “o governo está muito lento. Já perdeu muito tempo. Em cem dias, já deveria ter adotado um programa de emergência de combate à fome, com a compra de alimentos. E apenas agora estão anunciando recursos para isso. Um volume maior de alimentos demora cinco, seis meses para ser disponibilizado para quem precisa”.
Apesar das críticas, Stédile disse que o MST seguirá apoiando o governo Lula. “O que determina a luta é se os problemas sociais estão ou não resolvidos. Nós vamos pressionar. Mas vamos defender o governo Lula. Não porque somos puxa-sacos, mas porque precisamos defendê-lo de seus verdadeiros inimigos, que são os inimigos da classe trabalhadora: o capital financeiro que não quer baixar os juros, o latifúndio atrasado, a extrema direita. Ao mesmo tempo, o MST vai manter a sua autonomia, de governos, de igrejas e de partidos —por mais que legendas de esquerda torçam o nariz”.
O líder do movimento também mencionou que mais de 80 mil famílias acampadas agora veem uma possibilidade de resolver os seus problemas, já que o próprio Lula se comprometeu durante a campanha [a fazer a reforma agrária].
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Com informações O antagonista e Brasil 247