PAÍS
Durante o evento da Expoingá, ocorrido na cidade de Maringá, no Paraná, neste domingo (14), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu recado do agronegócio brasileiro, após criticar e ofender a atividade.
Na ultima quinta-feira (11), durante o lançamento das plenárias estaduais do Plano Plurianual Participativo (PPA), em Salvador, na Bahia, Lula chamou o agronegócio paulista de mau-caráter e fascista. Ele disse que seu ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, havia sido desconvidado da Agrishow.
“Tem a famosa feira de agricultura em Ribeirão Preto, que alguns fascistas, alguns negacionistas, não quiseram que ele fosse na feira: desconvidaram meu ministro”, afirmou.
Diante os frequentes ataques do governo federal ao agronegócio, durante a apresentação, o interlocutor do evento foi ovacionado pelo público ao afirmar o resgate da importância da atividade, devido ao trabalho realizado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Nós somos o Agro, o agro sustenta a economia nacional. O agronegócio sustenta 1 bilhão e 200 milhões de pessoas no mundo. De cada três pratos que são servidos, um é por conta do Brasil”, salientou.
Confira o vídeo:
Agronegócio
Segundo a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o agronegócio tem sido reconhecido como um vetor crucial do crescimento econômico brasileiro. Em 2020, a soma de bens e serviços gerados no agronegócio chegou a R$ 1,98 trilhão ou 27% do PIB brasileiro.
Dentre os segmentos, a maior parcela é do ramo agrícola, que corresponde a 70% desse valor (R$ 1,38 trilhão), a pecuária corresponde a 30%, ou R$ 602,3 bilhões.
O investimento na agro brasileira, praticada no governo anterior tornou possível reduzir o preço da alimentação, melhorando a saúde e qualidade de vida da população urbana, liberando seu poder de compra para bens produzidos pela indústria e pelo setor de serviços.
O agro expandiu suas vendas para o mundo, conquistou novos mercados, gerando superávits cambiais que libertam a economia brasileira.
No comércio internacional, 48% das exportações brasileiras, em 2020, foram de produtos do agronegócio. Também há forte contribuição do agronegócio para o desempenho da economia brasileira.
Desde 2010 o superávit comercial do agronegócio brasileiro tem mais que superado o déficit comercial dos demais setores da economia brasileira, e garantido sucessivos superávits à Balança Comercial Brasileira. Conforme tabela:

Repetições de Ataques
O governo federal vem gerando repetidas polêmicas às associações de agronegócio ao qualificar o setor como “fascista” e “direitista”. Em diversas entrevistas Lula entitula a atividade, e ainda responsabiliza o agro pelo desmatamento do país.
Fundada em 1919, a Sociedade Rural Brasileira se manifestou:
“Não podemos deixar que os produtores rurais sejam confundidos com criminosos”, informou, ao rebater as falas de Lula em defesa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
“O MST liderou invasões não apenas a propriedades rurais em diferentes regiões do Brasil, mas também a centros de pesquisa de empresas e instituições que são referência mundiais para o desenvolvimento da agropecuária.”
Lula também foi responsabilizado por Paulo Junqueira, presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Preto, por inventar posicionamento do Agrishow, diante as declarações do desconvite ao ministro Fávaro, devido a presença de Jair Bolsonaro (PL).
“Ameaça de corte de patrocínio, fakenews em relação a desconvite. O que aconteceu na realidade foi outra coisa totalmente diferente”, lamentou.
Para Junqueira, a presença de Bolsonaro será certa em todos os eventos, devido a valorização do setor praticada em seu governo.
“Pros próximos anos, sem dúvidas, o ex-presidente Jair Bolsonaro será novamente convidado, porque o Agro deve muito a ele, a tudo que ele fez, temos uma gratidão eterna ao ex-presidente”, declarou.
O discurso de Lula ocasionou ameaças do patrocinador oficial Banco do Brasil (BB), que suspendeu a participação de sua presidente, Tarciana Medeiros e anunciou, através de nota, que estaria presente no evento por meio de sua atuação comercial, para a realização de negócios e atendimento a clientes.
E acrescentou, sem dar detalhes, que “tomaria medidas cabíveis se, durante a feira, houvesse qualquer desvio das finalidades negociais previstas.