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Em evento realizado na sede do jornal Folha de S. Paulo, com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), nesta segunda-feira (22), o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto defendeu a autonomia do órgão, corrigiu projeções e rebateu as críticas recebidas por Lula, que trava uma insistência com a autarquia para diminuição de taxa de juros.
Segundo o presidente do BC, há ciclos diferentes para economia que devem ser respeitados.
“É importante separar o ciclo político do econômico. A política fiscal e monetária tem tempos e ciclos diferentes. O fiscal tem um efeito mais imediato”, comentou.
Campos Neto também salientou a ausência de conhecimento do governo quando declara suas projeções de crescimento.
Corrigindo o anúncio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que afirmou o trabalho do governo para o crescimento em PIB, em 1,9% para este ano, Campo Neto salientou que todo este cálculo, atualmente, não deve ultrapassar a margem de 1,6%, para não se transformar em inflacionário.
Ele ainda afirmou que as projeções de crescimento do PIB de 2023 tendem a se estabilizar e 1,5%.
Em referência as críticas pessoais que tem recebido do presidente Lula, Campos Neto disse compreender o direito do debate da taxa de juros, mas distingue que o presidenciável deve entender a autonomia do órgão.
“Algumas declarações vão no sentido de não entender a regra do jogo”, comentou o presidente do BC.
No meio das tratativas do governo com o BC, em alcançar metas e mudar as regras (arcabouço fiscal) que podem substituir o teto de gastos, Campos Neto foi pontual ao dizer que as até mesmo membros do governo eram contra, e que houve um trabalho de Haddad para alavancar a nova política fiscal.
“O ministro Hadadd trabalhou muito duro em um ambiente onde até mesmo membros do governo estavam contra, conforme a gente viu pela mídia, e eliminou o risco de a dívida sair do controle. Não cabe o BC comentar [o arcabouço fiscal]”.
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Com informações O Antagonista e Inteligência Financeira