Representantes dos professores que recusaram reajuste de 15% de Wilson Lima se calam para 4,5% de David Almeida

Aliança entre representantes de professores e grupo político oposto ao governo estadual é revelada.
Redação O Poder
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Representantes dos professores que recusaram 15% de reajuste salarial do governador do Amazonas, Wilson Lima (UB), para os servidores da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) acataram o reajuste de 4,5% concedido pelo prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), aos funcionários da Secretaria Municipal de Educação (Semed).

O movimento grevista dos servidores da Seduc durou 18 dias e só teve fim na última quinta-feira, 1, depois que os dirigentes foram desmascarados por suas ligações políticas com o grupo do senador Eduardo Braga (MDB), opositor de Wilson Lima, e atual aliado de David Almeida. Já a mobilização para “pressionar” David durou menos de uma semana sem muito alarde e dos 10,5% reivindicado, a categoria não conseguiu nem metade e se calou.

Evidências dessa aliança estão nas redes sociais. Na quinta-feira, 1º, os secretários de Infraestrutura e de Habitação, Renato Junior e Jesus Alves, respectivamente, se encontraram em Brasília com Braga. Alves, filiado ao MDB e um dos aliados mais próximos ao senador.

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Jesus Alves foi nomeado pelo prefeito David Almeida nessa sexta-feira, 2, secretário municipal de Habitação e Assuntos Fundiários. Ele estará à frente da secretaria que foi recém-criada na administração municipal.

Renato Junior é um dos principais articuladores políticos de David Almeida. Em Brasília, na capital federal, ele cumpriu agenda em nome do chefe do Executivo municipal.

“Cumprindo a determinação do prefeito David Almeida em nossa agenda na cidade de Brasília, reunimos com o senador Eduardo Braga em busca de recursos para a cidade de Manaus, sobretudo às áreas de risco”, disse o secretário de Infraestrutura em uma publicação no Instagram, ao lado de Eduardo Braga e Jesus Alves.

No sábado, 29 de maio, o senador Eduardo Braga também posou ao lado do Comando de Greve da rede estadual de ensino, que paralisou as atividades dos profissionais da Educação desde o dia 17 de maio pleiteando o pagamento, pelo Governo do Amazonas, de 25% da data-base, referentes a 2022 e 2023.

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Greve Seduc

A greve dos educadores do Estado teve início no dia 17 de maio. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam) recusou duas contrapropostas do governo estadual e aceitou a terceira nessa sexta-feira, 2.

Durante o período de paralisação, os grevistas realizaram manifestações em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) e próximo à sede do governo do Estado. Já a greve dos profissionais da rede municipal de ensino não houve grandes mobilizações nas ruas.

A primeira tentativa de negociação ocorreu no dia 24 de maio, com reajuste salarial de 8%. A segunda, no dia 29, propôs 14%, sendo 8% de forma imediata, e os outros 6%, em julho de 2024. O sindicato pedia 25% da data-base, referentes a 2022 e 2023.

Os servidores da rede estadual aceitaram, em Assembleia nessa sexta-feira, o reajuste de 15,19%, referente à terceira proposta do governo do Estado, após o governador do Amazonas revelar manobra política na condução da greve no Estado e autorizar o pagamento de 8% da data-base, além de aumento de 18,42% do auxílio transporte.

O governador autorizou, ainda, a concessão de Regime Complementar para secretários escolares e coordenadores distritais, progressão vertical a 2.225 professores e pedagogos da rede estadual de ensino e contratação imediata de professores selecionados por meio do Processo Seletivo Simplificado (PSS) que estão em cadastro reserva na Seduc. Um novo processo deve ser lançado na segunda-feira, 5.

Ainda na segunda-feira, 5, haverá uma audiência de conciliação entre o Sinteam e o Governo do Amazonas, no Tribunal de Justiça do Amazonas. Com a porcentagem de 15,14% proposta pelo governo estadual e que só foi aceita nessa sexta-feira, após Wilson Lima já ter autorizado outros aumentos, o piso salarial dos professores de jornada de 40 horas sai de R$ 4.749,22 para R$ 5.470,63.

 

Greve Semed

A Secretaria Municipal de Educação apresentou proposta de reajuste salarial de 4,5% para a data-base deste ano e 9% de reajuste no vale-alimentação, que será analisada em assembleia na segunda-feira, 5.

Já o Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom) analisa a proposta na terça-feira, 6. Essa é a segunda proposta da secretaria. A primeira, de reajuste de 3,83%, foi rejeitada no dia 24 de maio.

Com o reajuste oferecido pela Semed, o piso salarial dos professores da rede municipal com carga horária de 20 horas passa a ser de R$ 3.364,67, enquanto para a carga horária de 40 horas, chega a R$ 6.555,52. Os valores estão acima do piso nacional, que é de R$ 4.420,55 para 40 horas.

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