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No dia em que o governo federal aprovou a reforma tributária, no plenário da Câmara dos deputados, o juiz federal substituto Roney Raimundo Leão Otilio, da 2ª Vara da Justiça Federal de Alagoas, decidiu encaminhar os autos da investigação Hefesto ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A operação Hefesto, realizada pela Polícia Federal (PF), teve início no dia 1º de junho e investiga uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações e praticar lavagem de dinheiro em contratos de compra de kits de robótica, em Alagoas. Aliado e auxiliar do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), estão envolvidos. O nome do congressista, inicialmente, não estava entre os envolvidos, mas surgiu no processo após a PF encontrar documentos relacionados ao parlamentar e seu ex-assessor que é um dos alvos das investigações.
Coincidentemente no período da votação do arcabouço fiscal, o Supremo Tribunal Federal (STF) desengavetou para julgamento, o processo de um recurso do presidente da Câmara dos Deputados, no caso de suposta corrupção passiva apresentado em denúncia pela Procuradoria Geral da República (PGR) contra o parlamentar em 2018, que teria recebido R$ 106 mil, em troca de apoio político ao ex-presidente da Companhia Brasileira de Transportes Urbanos (CBTU), Francisco Colombo.
Todas as ações que envolvem Lira antecedem votações importantes para o governo federal, onde o presidente da Câmara dos Deputados costuma ser pressionado, por denúncias no judiciário, principalmente no STF onde Lula tem ampla maioria e apoio.
O analista político, Eduardo Bonates, também avalia o governo federal como o manipulador das arbitragens que podem definir os processos de aprovação das pautas de Lula na Câmara dos Deputados.
“A Polícia Federal solta a operação perto das votações mais importantes, Lira tem seu nome envolvido, o governo federal então se reúne com Lira e ele se torna apoiador das medidas. Coloca o centrão para apoiar, o STF então expede uma decisão livrando Lira, O Governo então libera bilhões em emendas para o centrão e as votação são então aprovadas a toque de caixa” avaliou.
Bonates também enquadra o governo de Lula em círculo vicioso com a “prática clara que está tentando emparedar Lira e usando o aparelho estatal para retirar parte do seu imenso poder na Câmara”.
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