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Foi aprovado nesta quinta-feira (3) na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro a convocação do hacker da “Vaza Jato”, Walter Delgatti Netto, preso pela Polícia Federal (PF) na quarta-feira (2).
A corporação apura invasões ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para inserção de alvarás de soltura e documentos falsos contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Na CPMI, Delgatti deve ser questionado sobre seu suposto envolvimento em atos contra instituições democráticas brasileiras.
A convocação foi votada em bloco pelos congressistas, ou seja, junto com outros requerimentos, e foi aprovada em votação simbólica. A sessão, no entanto, foi marcada por bate-bocas e confusões.
Inicialmente, integrantes da comissão se reuniram portas fechadas por mais de 2h para definir o que seria votado. Ao sair da reunião, o presidente da CPI, deputado Arthur Maia (União Brasil), afirmou que havia acordo para votar a convocação do hacker e do fotojornalista Adriano Machado, da agência de notícias Reuters.
No entanto, o deputado Rubens Pereira Jr (PT-MA) disse que não havia acordo dos governistas para convocar um integrante da mídia. O grupo é maioria na comissão. Congressistas da oposição insistem na convocação do fotojornalista.
Pelo regimento das comissões, a pauta de uma reunião em que requerimentos serão votados deve ser publicada com 48h de antecedência. A regra só pode ser ignorada se houver acordo entre os integrantes do colegiado. Sem acordo, nada pode ser votado. Assim, para votar os requerimentos na sessão desta quinta-feira (3) era necessário um acordo.
Machado registrou em fotos a invasão às sedes dos Três Poderes, assim como outros profissionais de comunicação de empresas de mídia nacional e internacional. Congressistas da oposição defendem a convocação do fotógrafo desde o início da CPMI.
A hipótese defendida pelos oposicionistas é de que Machado seria uma pessoa infiltrada nos atos.
“Pelas imagens pode-se perceber que um homem só teria dado o chute depois de ter sido informado pelo fotógrafo de que a violação seria gravada”, diz requerimento de convocação assinado pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Os congressistas também sugerem alguma ligação do fotógrafo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “O fotógrafo tem diversas fotos publicadas com o Presidente Lula em suas redes sociais. E inclusive cobriu a posse do presidente Lula.
“O vice-presidente Geraldo Alckmin chegou a fazer uma postagem em seu perfil informando sobre o trabalho do fotógrafo durante o evento. Diante disso, considera-se que o senhor Adriano Machado tem muito a colaborar com os trabalhos desta Comissão”, diz o requerimento de Eduardo.
O senador Jorge Seif (PL-SC) afirmou nesta que Machado foi “cúmplice” dos atos de 8 de janeiro. Depois de diversas discussões, votaram os requerimentos, aprovando a convocação tanto de Delgatti quanto de Machado, além de integrantes da Polícia Militar do Distrito Federal.
Foto Divulgação
Com informações Poder 360