A Hapvida enfrentou, nesta quinta-feira (13/11), a maior queda de sua história na Bolsa brasileira. As ações da operadora de planos de saúde despencaram mais de 42% e fecharam cotadas a R$ 18,89 chegando a recuar quase 50% durante o pregão. O resultado foi devastador: cerca de R$ 6,8 bilhões evaporaram do valor de mercado da companhia em poucas horas.
O movimento foi tão intenso que os papéis chegaram a entrar em leilão, mecanismo acionado para tentar equilibrar a negociação quando há forte desequilíbrio entre compra e venda. Nesta sexta (14), o clima continuou negativo, e as ações voltaram a cair no início do dia, sendo negociadas por volta de R$ 18,17.
O que provocou o colapso?
Apesar de apresentar lucro líquido ajustado de R$ 338 milhões no terceiro trimestre, alta de 12,7% em relação ao ano anterior, o restante do balanço frustrou o mercado.
Alguns pontos críticos:
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Ebitda ajustado caiu 17,6%, somando R$ 746,4 milhões.
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O resultado veio pior do que o esperado por analistas.
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Fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 234 milhões.
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Dívida líquida aumentou.
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Sinistralidade médica subiu, contrariando projeções.
Para o Goldman Sachs, efeitos sazonais mais fortes e custos fixos elevados fizeram pressão adicional sobre os resultados. Já o BTG Pactual classificou o trimestre como fraco e cortou em 20% a estimativa de Ebitda para 2026, reduzindo o preço-alvo da ação de R$ 67 para R$ 50.
O JPMorgan foi além: rebaixou a recomendação de “compra” para “neutra” e diminuiu o preço-alvo para R$ 39, afirmando que algumas das pressões vistas no balanço devem continuar ao longo de 2026.
Concorrência e desafios operacionais agravam o cenário
Além do desempenho fraco, a Hapvida enfrenta uma competição crescente, especialmente na Grande São Paulo, onde a Amil vem trabalhando com uma estratégia comercial mais agressiva.
Os analistas também destacam:
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Taxas de cancelamento ainda elevadas
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Crescimento orgânico abaixo do esperado
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Investimentos pesados sem retorno imediato
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Reclamações altas e impacto da sazonalidade (como o aumento de viroses no inverno), que pressionam a sinistralidade
Com esse conjunto de fatores, especialistas apontam que a recuperação da lucratividade deve ser mais lenta e só ganhar algum fôlego no fim do ano, impulsionada por maior volume de vendas e reajustes gradativos.
Resumo do quadro
O mercado reagiu duramente porque o balanço acendeu um alerta: A Hapvida está fazendo investimentos estruturais importantes, mas ainda não está colhendo resultados. Ao mesmo tempo, enfrenta custos crescentes, ambiente competitivo difícil e uma base de clientes que cresce menos do que o necessário.
*Com informações do site Metrópoles*